Questão de propósito, questão de estratégia
A voz da estudante, que se diz de Jornalismo, comemora enquanto gravando o vídeo publicado no YouTube: "O Crusp sitiado como nos tempos áááureos da ditadura!". Em seguida, a voz adolescente de dona não identificada diz aos policiais que fazem uma barreira em frente à moradia: "Eu sou mulher! Eu estou sendo violentada!". Oi?
- Viúvas? Da ditadura. Pode isso? Poder, pode, mas o tipo de demanda social hoje é outro, o tipo de repressão é outro. A falta de entendimento e a consequente não utilização de uma estratégia condizente vai levar exatamente a... lugar nenhum. Pior: os rebeldes da USP estão, eles mesmos, se fazendo ser motivo de chacota ao redor do país. Parecem presos numa espécie de limbo entre o que têm capacidade de vir a ser e as amarras de um modelo envelhecido.
- Que tipo de causa é essa? Se querem que esta luta entre pra história como tantas outras da juventude universitária brasileira, que pelo menos tenham a decência de tirar os olhos do próprio umbigo. A função primária da universidade pública é dar retorno para a sociedade, seja pelas vias formais, seja em consequência do espaço para seres pensantes, de vanguarda, debaterem rumos novos para o coletivo.
- Quero crer que a mensagem não foi passada da forma mais eficaz e, sim, o mundo todo ficou achando que este grupo só quer fumar maconha. Que pena para eles, cujos discursos foram impressionantemente desarticulados e vazios. Exemplo: "Queremos uma universidade democrática!". "Universidade democrática" é um conceito tão amplo quanto pedir um "País justo". Quer dizer então que basta tirar policiais do campus para que a Universidade (a academia, os debates, a produção científica, etc) se torne democrática? E o reitor? E o governo? É claro que os estudantes não são burros o suficiente para pensar dessa forma simplista, mas talvez não tenham tido inteligência suficiente para exprimir mais do que isso.
Eles têm o direito de não querer a polícia no campus? É claro que sim, assim como

