Posterous theme by Cory Watilo

TAGS: *Sinteses Cotidianas*

Questão de propósito, questão de estratégia

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A voz da estudante, que se diz de Jornalismo, comemora enquanto gravando o vídeo publicado no YouTube: "O Crusp sitiado como nos tempos áááureos da ditadura!". Em seguida, a voz adolescente de dona não identificada diz aos policiais que fazem uma barreira em frente à moradia: "Eu sou mulher! Eu estou sendo violentada!". Oi?

  1. Viúvas? Da ditadura. Pode isso? Poder, pode, mas o tipo de demanda social hoje é outro, o tipo de repressão é outro. A falta de entendimento e a consequente não utilização de uma estratégia condizente vai levar exatamente a... lugar nenhum. Pior: os rebeldes da USP estão, eles mesmos, se fazendo ser motivo de chacota ao redor do país. Parecem presos numa espécie de limbo entre o que têm capacidade de vir a ser e as amarras de um modelo envelhecido.
  2. Que tipo de causa é essa? Se querem que esta luta entre pra história como tantas outras da juventude universitária brasileira, que pelo menos tenham a decência de tirar os olhos do próprio umbigo. A função primária da universidade pública é dar retorno para a sociedade, seja pelas vias formais, seja em consequência do espaço para seres pensantes, de vanguarda, debaterem rumos novos para o coletivo.
  3. Quero crer que a mensagem não foi passada da forma mais eficaz e, sim, o mundo todo ficou achando que este grupo só quer fumar maconha. Que pena para eles, cujos discursos foram impressionantemente desarticulados e vazios. Exemplo: "Queremos uma universidade democrática!". "Universidade democrática" é um conceito tão amplo quanto pedir um "País justo". Quer dizer então que basta tirar policiais do campus para que a Universidade (a academia, os debates, a produção científica, etc) se torne democrática? E o reitor? E o governo? É claro que os estudantes não são burros o suficiente para pensar dessa forma simplista, mas talvez não tenham tido inteligência suficiente para exprimir mais do que isso.

Eles têm o direito de não querer a polícia no campus? É claro que sim, assim como

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Visões de "estranhamento" e "desenvolvimento" (via @brumelianebrum)

No início deste ano, Sheyla Juruna viajou pela Europa para levar sua voz contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Xingu. Em agosto, durante uma entrevista em Altamira, no Pará, eu perguntei a ela o que tinha achado do que viu. Ao fazer a pergunta, imaginava escutar sobre o assombro de uma indígena criada na Amazônia diante da arquitetura e da arte que povoam as ruas e os museus das principais capitais europeias. Afinal, deslumbramento é a reação habitual de quem viaja a países como a França. Ao me responder, uma sombra passou pelo rosto de Sheyla, uma bela mulher de 37 anos com os traços bem marcados de sua etnia e olhos e cabelos bem pretos. A sombra passou e não foi embora. Para meu espanto, Sheyla assim respondeu à minha pergunta:

          - Eu estranhei. Fiquei triste e oprimida. Não consegui enxergar beleza. É um mundo de concreto. Terrível. Só conseguia pensar no que havia antes que foi destruído para que aquilo tudo pudesse existir. Só conseguia pensar nos povos que viviam lá antes e viraram História.

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É sobre outra coisa

Sempre que acontece algo desse tipo*, eu me pego pensando, lendo e pensando sobre o que escrever. Há uns dez anos, eu despejaria as palavras muito mais espontaneamente do que agora. Minha mudança de perfil em casos densos como este não me incomoda -- é opção, não prisão. Quanto mais leitores vão chegando, quanto mais o tempo vai passando, mais você compreende que as palavras têm um efeito tão, tão significativo que não é adequado ignorar a reflexão antes de tornar público o que se passa na sua cabeça.

Ocorre que nem sempre a motivação para despejar palavras é toda pura e nobre, porque palavras representam poder e, no momento em que alguém de fato descobre isso, descobre também dois caminhos principais diante de si: o da empáfia, de enxergar a si mesmo como o único capaz de transformar, se vendo como "o paladino da Justiça e da Verdade"; e o da humildade (uma palavra muito mal interpretada pelas nossas bandas, por sinal) que, colocando de um jeito simples, é se enxergar como um instrumento, e não como o indispensável centro de toda e qualquer ação transformadora.

Escrever é um ato que pode começar simplesmente com uma vontade de colocar algo para fora. Antes ou depois, pode vir o desejo de que aquilo que está sendo colocado para fora seja admirável mais do que apenas palatável. É o processo de definição de "o quê e como escrever". Particularmente, não consigo encerrá-lo sem o "por quê" e o "para quê", principalmente o último.

"Preciso mesmo escrever sobre isso?"

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O que não me contaram sobre a cirurgia de correção da miopia

"Cirurgia refrativa" é o nome dela. Consta que corrige miopia, hipermetropia e astigmatismo. Funciona, isso me disseram (e funciona mesmo, tanto que meu veredito pessoal é totalmente positivo). Animada pela perspectiva de passar boa parte das férias na praia pela primeira vez desde que... ahm... eu era adolescente e minha avó cuidava da gente no litoral de São Paulo, resolvi fazer a tal da cirurgia.

O relógio corria: faltava pouco mais de dois meses para a viagem e eu sabia que precisaria de pelo menos um mês de recuperação antes de ir.

No último dia 29/10, fui à primeira consulta. Cheguei, disse ao médico o que queria e ele foi direto ao ponto. A clínica que escolhi é meio que uma fábrica com linha de produção de cirurgias do tipo. Sete dias depois, em 06/11 (ou seja, quinta-feira passada), fiz os exames que me colocaram na condição de apta para o procedimento (grau estável, formato do olho, tipo de córnea, etc etc etc).

Se eu quisesse, podia ter marcado a cirurgia para o dia seguinte, mas achei meio estranho esse negócio, muito rápido! Preferi deixar para a segunda-feira, popularmente conhecida como "ontem", 10/10, o que me daria um mês e 20 dias para me recuperar.

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Breve homenagem ao Leonardo (e não à @TVAOficial)

Se todos fossem no mundo iguais a você, que maravilha viver.

Foram mais de três meses até que ele finalmente atendesse à minha chamada. Antes do Leonardo, tantas foram as moças que falaram comigo ao telefone sem demonstrar nem um fino fiozinho de entendimento sobre o assunto em questão.

Daí, com o Leonardo foi assim:

- Em que posso ajudar?

- Estou com um problema, aqui, na conexão da internet.

Só falei desse jeito genérico porque ainda não sabia quem era o Leonardo. E a indignação dele com a pobreza da minha explicação foi surpreendente:

- Como assim, senhora? Desculpa, eu não entendi qual é o problema. Não funciona? Como assim?

- (pensando) Como assim ele não entendeu? Ele REALMENTE quer que eu explique? E eu não vou falar com nenhuma moça perdida antes de chegar no setor certo? Eu, hein...

- (falando) É que o Ajato não está funcionando com o AirPort Express. Faz uns três meses, até já troquei o aparelho.

Só o fato do Leonardo não ter dito O QUÊÊÊ quando eu pronunciei as palavras "AirPort Express" foi suficiente pra me encher de esperança. E assim foi: desconectei o cabo coaxial (ele também deve ter ficado contente quando eu não perguntei o que era um cabo coaxial), renovei a concessão de DHCP, liguei tudo de novo e pronto, estava funcionando. Pensa: três meses esperando essa bobeira de procedimento e só o Leonardo foi capaz de me ajudar.

Sabia que a Apple foi prejudicada por eu não ter conhecido o Leonardo antes? Pois é... Eu, no lugar da Apple, cobraria da TVA o AirPort Express novinho em folha que a empresa stevejobsoniana me deu depois de eu ter reclamado que o roteador não funcionava. "Vá lá, Apple, vá atrás do que é teu", eu diria, se eles me pedissem um conselho.

E você, Leonardo, veja se cobra da TVA a sua participação nos lucros gerados pela minha assinatura do Ajato. Saiba que ela só segue existindo por sua causa.

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Momento Boa Ação. Como eu vi muita gente chorando em grupos de discussão sem encontrar solução, faça assim se você tiver um AirPort Express que não funciona com o Ajato:

1) Não adianta nada pedir pra TVA registrar lá o seu ID AirPort. Isso é coisa de tutorial de sete anos atrás (e, pior, é a única orientação que você encontra na internet).

2) Ligue na TVA (106 66) por volta das 20h, dê um gato pra cair no Suporte Técnico do setor Corporativo e peça pra falar com o Le-o-nar-do.

3) Se não der certo, se o Leonardo tiver arranjado um emprego melhor em que ele tenha mais do que 5min pra fazer xixi, tente o seguinte: desligue o cabo coaxial, renove a concessão de DHCP, religue o cabo coaxial, espere o modem ligar direitinho e renove a concessão de DHCP de novo (se bobear, nem vai precisar desse último passo). Bom, você também deixar configurado em DHCP e não PPPoE.

Bobo, né? Acho que só funcionou porque era o Leonardo, mesmo.

Sabe a gentileza? Tem a ver com a calma

Como alguém vai parar pro outro atravessar a rua na faixa de pedestre se vive atrasado e anda a 60 km/h numa rua de bairro? Como não xingar a atendente do telemarketing se você ligou em cima da hora de ir pro trabalho e ela depende do "departamento técnico" pra te dar uma resposta? Etc etc etc.

Calma vem de saber o quanto da coisa é culpa sua e o quanto é, de fato, dos outros envolvidos. Calma vem de não procrastinar. Calma vem de aceitar que o mundo e todos os seres aqui existentes, ao contrário da falácia publicada no livro mais vendido mundo, não foi feito para servir a sua pessoa na hora em que você quiser. 

Calma gera a possibilidade de espalhar gentileza. E, assim, todo mundo fica mais feliz.

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As inscrições já foram encerradas, mas os ingressos serão distribuídos por ordem de chegada a partir das 18h de hoje na bilheteria do Teatro do SESC Vila Mariana, em São Paulo.

Visite o site da campanha.

Mentira musical efe-êmica

Hoje de manhã, encarando o magnífico (#not) trânsito de São Paulo enquanto vinha para a redação, ouvi uma coisa capaz de acabar com muitas dúvidas existenciais... ou não.

Não que eu pensasse que fosse diferente, mas ter a confirmação assim, através dessa espontaneidade tão latente da... Carla, dá uma segurança maior na hora de debater o assunto em rodas de conversas profundas com amigos.

O grande fato aconteceu em uma FM. E foi assim:

- E aí, Carla, que música você vai pedir?

- Eu quero ouvir Neli/Nelly/Nele/sei lá.

- Boa! Valeu, Carla!

- Pera, pera, deixa eu dizer uma coisa antes.

- Claro!

- Olha, eu quero dizer que eu ia pedir uma música da Wanessa, mas não pode, né? Mas eu amo ela!!!!

Quer dizer então que a gente não pode ligar pra uma rádio e pedir a música que a gente realmente quer ouvir? Que horror... Ainda bem que eu nunca gastei minhas fichas telefônicas com esses... esses... enganadores!

Musica

PS: A clave de sol não parece um cifrãozinho?

De novo: onde foi parar a gentileza?

Desde que eu abri este post e escrevi o título pensando em escrever sobre o tema, na semana passada, pelo menos duas ou três novas situações que podeiram ilustrar o tema se deram diante dos meus olhos. Mas acho que é melhor começar com o causo que deu origem à vontade de escrever, seguir para mais uma história, e basta.

 

CENA 1: Na semana que antecedeu a última etapa do Trofeo Linea, um dos repórteres do Tazio, Leonardo Felix, escreveu um post no "Blog da Redação" propondo um debate sobre uma questão realista e em voga: a idade ideal para estrear numa categoria de turismo com motores potentes e pilotos experientes (leia aqui). No espaço para comentários, uma batalha verbal agressiva foi travada em torno de uma suposta agressão pessoal com direito a ataques -- estes, sim, pessoais -- ao autor da pensata.

CENA 2: Os paulistanos estão às voltas com uma campanha de trânsito que tem como meta reeducar motoristas e pedestres para que haja não só mais segurança, mas também para que seja cumprido uma regra de trânsito ignorada pela maioria da população. Enquanto pedestres são relembrados de que só devem atravessar na faixa, motoristas são chamados a parar antes da faixa quando há um pedestre esperando para cruzar -- obrigações de ambos segundo um código de leis que não é novo. Pois bem, dito isso, lá vamos nós: no final de semana, parei com tudo antes da faixa para um pedestre atravessar. O barulho da freada, no entanto, deve ter assustado o pedestre rebelde, que ficou olhando para mim com cara de bravo. Abaixei o vidro e disse: "Desculpa! Olha, eu também sou pedestre..."; antes que eu conseguisse finalizar com um "desculpa, mesmo" ou qualquer outra coisa, o pedestre rebelde começou a discutir comigo no meio da rua, cheio de cinismo, e eu fui respondendo até decidir atender a namorada dele, que pedia pra ele parar -- ele não parou, mas eu resolvi que já tinha dado. (É capaz que eu ainda escreva de novo sobre isso.)

 

Fico aqui pensando o que faz com que tanta gente opte por partir para a briga ao menor sinal de desagrado. Uma frustração e pá, é tiro pra todo lado. O que faz uma pessoa imaginar que vai conseguir gentileza, aprovação, tudo de bom pra si vindo de todos os habitantes do planeta, dando todo dia um balde de arrogância de presente?

Parece que, quando é na sua que a água bate, parar pra pensar na autorresponsabilidade diante das coisas é uma concessão que ninguém quer fazer. Parar pra pensar no quanto é a sua visão que deturpa (ou melhora) a leitura feita das coisas, tampouco. Tem uma virtude disponível no mercado que é grauita, muito simplinha e bacana. O nome dela é "humildade": o mundo não gira ao redor do umbigo de ninguém e as cenas da vida não são todas uma grande conspiração contra este único umbigo. Humildade gera gentileza, é uma dupla bem eficiente.

Não sei se é o caso do povo lembrado nas cenas acima; só eles podem dar um parecer sobre isso. Que o façam de forma gentil, pelo menos.

Breve lembrança do Japão (e de PE, SP, SC, RJ...)

Nesta semana, aproveitando o alvoroço em torno dos preparativos para a corrida do centenário das 500 Milhas de Indianápolis, o piloto Takuma Sato gravou um vídeo publicado na conta da IndyCar no YouTube lembrando a tragédia provocada pelo tsunami no Japão.

Bacana que o trabalho tenha foco nas crianças porque as experiências do Japão, da Tailândia, de Pernambuco, de São Paulo, do Rio de Janeiro ou de Santa Catarina, dentre tantas outras, não podem tornar-se imperativas e referenciais únicos em vidas de histórico tão breve. É preciso que os pequenos, médios e grandes consigam enxergar além -- o que os pequenos só conseguem fazer levados pela mão, guiados por uma orientação preenchida do que é bom.

É só uma lembrança. As coisas passam a acontecer em uma velocidade que torna prudente nunca esquecer.

Meus queridos irmãos e irmãs divinos,

Os elementos da natureza novamente nos mostraram o quão poderosos e destrutivos eles podem ser, à parte de nossos conhecimentos e avanços científicos. Não precisamos mais de nenhuma prova da supremacia das forças da natureza. Estamos tocados e isto nos remete às nossas raízes espirituais, a essência de nosso ser e o manancial de onde flui toda a bondade.

Minha solidariedade mais profunda vai àqueles que foram afetados por este terremoto.Segurem firmemente na mão de Deus e deixem que Ele seja o seu guia através destes momentos de escuridão. Não é fácil perder entes queridos, embora o conhecimento de que a alma é eterna nos traz conforto e nós sabemos que aqueles que partiram estão verdadeiramente nas mãos de Deus.

E, para a família global, é imperativo que diariamente dediquemos tempo para espalhar luz e força aos nossos queridos irmãos e irmãs, e ao nosso precioso planeta, a Mãe Terra. Ela nos deu tanto a partir de sua graça e estamos em débito com ela. Não podemos mais continuar a apenas tomar; nós precisamos dar algum retorno a ela.

Ela está nos pedindo o presente da paz: paz em nossos relacionamentos pessoais, paz entre os povos, paz com os nossos recursos limitados e paz com Deus. Com cada gota de paz que criamos, estamos criando uma reconciliação: com nós mesmos, com o mundo, com os nossos queridos viajantes e com a natureza.

É muito importante que não fiquemos presos numa rede de perguntas de “por quê?”, “o quê?” e “como?” – esta confusão não nos permitirá termos estabilidade e calma interna. Ao invés disto, precisamos ter nossas vidas em nossas mãos e ter a determinação interna de forma que sejamos capazes de enfrentar os muitos desafios que continuam a nos confrontar.

Nossos centros ao redor do mundo intensificaram suas meditações e mais e mais yogues estão meditando para espalhar vibrações de Paz e Felicidade vindas de Deus para o mundo todo. Juntem-se a nós!

Mensagem de Dadi Janki, líder da Organização Brahma Kumaris.