ENTRELACE v2.0 por Vanessa Ruiz

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Sebastian Vettel

 

Jenson Button gosta de correr (Vettel também)

Logo depois do GP do Brasil, prometi ao Vitor Birner, comentarista e colega de rádio CBN, um post sobre o que eu pude apreender de quem foi Jenson Button na temporada 2009 de Fórmula 1. Pedi a ele que esperasse pelo fim do Grande Prêmio de Abu Dabi porque algo podia sair dali que acrescentasse à visão que tenho de Button. E, de fato, isto aconteceu.

Espere o vídeo carregar e procure os 10'56''. Começa ali o pega entre Jenson Button e Mark Webber. 

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Campeão desde a penúltima etapa, GP do Brasil, Button tem prazer em correr (isso te lembra Kimi Raikkonen?) e nada é mais estimulante para quem acompanha um esporte do que ver os personagens principais dando o sangue na pista, na quadra, no campo, na água. E Jenson Button o fez num traçado que, sabemos agora, não ajuda: o circuito de Yas Marina é veloz, mas praticamente sem pontos de ultrapassagem. Talvez ele soubesse que não conseguiria ultrapassar Webber, como sabíamos nós, mas se divertiu nas últimas voltas e divertiu também a quem assistia ao modorrento GP de Abu Dabi.

A entrevista coletiva foi atração à parte. Bem-humorado, Button ficou sem graça com as piadinhas de Sebastian Vettel sobre o suposto casamento marcado do inglês. No final, entre um sorriso e outro, deu a clássica declaração: "Acho que algumas coisas devem ser mantidas em segredo na sua vida e esta é uma delas. Muito obrigado", e encerrou a coletiva (que você pode ler na íntegra, em inglês, aqui).

Button é solto, boa praça, bom piloto. Gosta de sair à noite e gosta de pilotar, também, assim como você deve gostar de ser advogado e participar do happy-hour na sexta-feira após o expediente. Ele tem todo o direito de dizer que foi o melhor piloto da temporada 2009 porque isto é o óbvio -- e pensar que houve quem questionasse a afirmação. Foi constante, só não pontuou em um GP, o da Bélgica, que abandonou após um acidente em grupo logo na primeira volta. 

O título pode não ter o brilho que teria um de Schumacher, Senna ou até mesmo Alonso, citando exemplos recentes, mas certamente ficou com um dos pilotos mais carismáticos dos últimos tempos. Não é caso de compará-lo a John Surtees, por exemplo, campeão em 1964 com apenas duas vitórias; talvez com Mike Hawthorn, que, diz-se, gostava de uma festinha... A conclusão é que comparar é inútil: cada temporada tem suas peculiaridades, ainda mais numa época em que muito tem mudado da água para o vinho a cada ano.

Agora, uma observação: no final das contas, se tivesse sido adotado o sistema de medalhas de Bernie Ecclestone, mas que definisse não só o primeiro colocado, as três primeiras posições no mundial de pilotos seriam as mesmas que temos hoje:

Jenson Button - 95 pontos - 6 vitórias
Sebastian Vettel - 84 pontos - 4 vitórias
Rubens Barrichello - 77 pontos - 2 vitórias (ganharia de Lewis Hamilton e Mark Webber no desempate por pontos)

A diferença -- e é bom que Bernie preste atenção neste fator -- é que a disputa por pontos fez com que o interesse no campeonato se mantivesse durante toda a temporada, algo que não aconteceria depois da meia-dúzia de vitórias de Jenson Button.

Este post não pode ser encerrado sem que se frise o desempenho de Sebastian Vettel: chorou muito quando deixou escapar a chance de brigar pelo título, no Brasil, e comemorou ainda mais a vitória na última etapa do ano. Vettel expõe sem receio a paixão que tem pelo esporte e pelo triunfo. Nos próximos anos, um dos títulos será dele.

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A emoção demorou, mas parece que chegou à Fórmula 1

Há alguns dias, pouco antes do GP da Hungria, parei para reler posts antigos, do início da temporada da Fórmula 1. Até a sétima etapa, eram seis vitórias de Jenson Button e apenas uma de outro competidor, Sebastian Vettel (Red Bull). Era natural que as análises dessem conta de um campeonato praticamente decidido, com Button disparado na ponta.

Na oitava etapa, cujo resultado foi retratado da forma acima por Bruno Mantovani, Vettel subiu de novo no topo para fazer crer que as coisas podiam realmente ser diferentes. Naquela corrida, o nome de Button não foi apagado do primeiro lugar, mas do pódio: era a primeira vez em que ele não ficava entre os três primeiros. E desde então, Button não venceu mais: na Alemanha, deu Mark Webber (Red Bull) e na Hungria, um surpreendente Lewis Hamilton (McLaren) e seu MP4-24, o primeiro piloto que usa KERS a vencer nesta temporada.

Nesta semana, tudo o que se quer saber, é claro, é sobre o estado de saúde de Felipe Massa. O ferrarista brasileiro está bem, enxerga, fala para alívio de todos -- somos jornalistas e somos gente também, estamos incluídos neste "todos"; reportamos mas, por dentro, torcemos; se não o fizessemos, arriscaria dizer que teríamos perdido parte de nossa condição humana. Já a vaga que será aberta por sua ausência em Valência pode ser ocupada por Luca Badoer ou Marc Gené, pilotos de teste da Ferrari, e até por Fernando Alonso, quem sabe? Especulações não faltam. (Agora são 14h e parece que o empresário de Michael Schumacher voltou atrás na negativa, ou seja, o hepta volta a ser candidato.)

Enquanto Felipe se recupera com tranquilidade, continuemos pensando no que foi feito da temporada 2009. Ela tinha tudo para tornar-se desinteressante, principalmente para aqueles que não são tão aficionados assim por Fórmula 1. A Red Bull foi a primeira a ameaçar a Brawn: no mundial de construtores, agora, são só 15,5 os pontos que as separam. No de pilotos, a vantagem de Button caiu: são 18,5 pontos para o segundo colocado Mark Webber.

No entanto, sem delongas, o mais surpreendente foi o salto de McLaren e Ferrari: sinal muito claro de que, na Fórmula 1, pouca coisa resiste ao tempo de que tem dinheiro.

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