Posterous theme by Cory Watilo

TAGS: Midias Sociais

Nunca no carro, nunca na cozinha

Ok, não vai dar mesmo pra relatar tudo, o dia começa cedo. Vamos então com alguns relances para concordar, discordar, pensar (qualquer coisa, menos ignorar). O que eu vou delicadamente jogar a esmo aí embaixo está diretamente ligado à questão dos limites do uso da tecnologia em se tratando de relacionamento consigo e com os outros. São aqueles sinais de alerta, o que não quer dizer que este seja o tom do encontro como um todo. É simplesmente parte do que foi abordado nas mesas de diálogo de hoje e que me vem à mente agora.

CONTEXTO: "Posso ver uma foto do monte Kilimanjaro na internet e isso é ótimo! Mas, se por ter visto as fotos, eu saciar meu desejo de ir até lá, então eu perco a possibilidade de ter consciência (ciência - saber/conhecer // consciência - saber/conhecer bem). É preciso viver a experiência para ter total consciência." Paráfrase de algo dito hoje por Mark Nepo, poeta.

Sugestão: Descreva um aspecto da sua vida no qual você está sendo chamado a mergulhar e que você está apenas observando. Sem julgamentos, explore o porquê de só estar observando e no que você precisa 'entrar completamente' em sua vida.

CONTEXTO: Por que esperamos mais da tecnologia do que uns dos outros? Subtítulo do livro "Alone Together", Sherry Turkle, professora do MIT.

Estalo: A tecnologia (do dia-a-dia, principalmente smartphones) vem sendo usada em muitos momentos como um escape de situações em que nos sentimos desconfortáveis. Nesses e/ou em outros casos, torna-se escassa a atenção dada ao outro enquanto fisicamente juntos.

Regras da casa: Nunca no carro, nunca na cozinha.

O que é o quê: jornalismo e crowdsourcing no #apagao

O apagão de 2009, passado na noite de ontem, foi uma boa mostra das benesses e limites do conteúdo colaborativo, e de qual a diferença entre relatar o que se vê e fazer o que chamamos de "jornalismo".

Logo que teve início a queda de transmissão de energia elétrica em áreas de pelo menos onze estados do Brasil mais Paraguai, às 22h13, começaram a pipocar no Twitter os relatos de pessoas em todo o país informando a "falta de luz" em suas regiões. Ficou claro, imediatamente, que não se tratava de um problema no centro de São Paulo, por exemplo, onde eu estava naquele momento, na redação da CBN/Rádio Globo. José Roberto Toledo (ou @zerotoledo) avaliava lucidamente que “o Twitter foi a lanterna noticiosa do #apagao: mais ágil e até mais preciso do que muitos meios tradicionais”. Como plataforma, funcionou melhor do que a de muitos sites, que saíram do ar, e de emissoras de televisão que, mesmo funcionando com gerador, não tinham como fazer a programação chegar a seu destino por motivos óbvios. Sobraram os celulares que não saíram do ar, laptops com bateria ligados direto na rede e os rádios de pilha.

Enquanto alguns twitteiros com grande número de seguidores faziam sua parte retransmitindo as mensagens que recebiam vindas de locais diversos, notava-se também que alguns deles repassavam o que era dito em entrevistas ouvidas no rádio e na televisão, quando tinham acesso a ela. 

Este post é simples e terminará quando encerrar este parágrafo. Não discuto aqui o Twitter, mas o uso do conteúdo colaborativo. Ele ajuda a investigar, mas não é a investigação em si. Fazer jornalismo é apurar e não só repetir, repassar, retwittar, que seja. Procurar as autoridades, especialistas que ajudassem a explicar ao público o funcionamento de determinados sistemas; obter e analisar respostas cabíveis e não qualquer explicação chapa-branca que @usina_itaipu poderia dar, por exemplo; orientar a população a partir disto tudo não é tarefa fácil. Requer preparo, discernimento, experiência. É possível que, com as mídias sociais, mais e mais pessoas se interessem pelo jornalismo e queiram aprender a fazê-lo, o que seria extremamente positivo. Entretanto, é bom saber que ligar o computador e sentar de frente a ele, esperando que os dados caiam no seu colo para simplesmente reproduzir conteúdo, seja ele gerado pela população ou por veículos tradicionais, é conteúdo colaborativo, é mídia social, mas, sozinho, não é jornalismo.

PS: Ainda acredito que o crowdsourcing atingirá níveis muito mais extensos de troca de informação, mas é preciso que um número maior de pessoas esteja online e, mais do que isso, participando ativamente da rede, gerando conteúdo e não só consumindo.