ENTRELACE v2.0 por Vanessa Ruiz

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Jenson Button

 

Troquemos as manchetes: Button não foi para McLaren por dinheiro. Ouça.

Jenson Button  

No dia seguinte à confirmação de sua ida para a McLaren, Jenson Button deu uma entrevista à rádio britânica BBC 5 Live e contou como foi tomada sua decisão de deixar a nova Mercedes e Ross Brawn, com quem trabalhou durante tantos anos, para ir à McLaren. 

Mais para o fim da conversa, o entrevistador pergunta a Button: "Foi principalmente o carro? Foi só o carro? O dinheiro, obviamente, tem sua parte aí de alguma forma..." 

E para surpresa de todos, Button respondeu: "Não, porque, na verdade, eu vou ganhar menos do que se eu continuasse na Brawn. Definitivamente, não é o dinheiro e todos os envolvidos sabem que não é o caso. É porque é algo novo e eu terei que trabalhar duro nesta situação em que eu me coloquei. Mas é o que eu quero fazer. Eu não sei se é assim com todo mundo, mas eu sempre quero um novo desafio".

Segundo consta na mídia britânica, Button fechou com a McLaren por três anos, sendo £6 milhões/ano de salário. Na Brawn, ele ganharia £8 milhões em 2010 e até £4 milhões a mais como bônus por pontuação.

CONTINUANDO às 11h46: Sou da turma que acha que Button não errou em trocar de equipe. Com as mudanças constantes pelas quais a Fórmula 1 tem passado, qualquer aposta é muito arriscada, ficar ou partir. Button tem a chance de uma vida de correr por um dos times que mais se destacam na história da Fórmula 1. Garantia de bom carro, ele tem. Talvez "bom" possa não significar "o melhor", só o tempo vai dizer. De qualquer forma, "McLaren" não é um nome que nos faça duvidar em se tratando de respeito na Fórmula 1.

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Ross Brawn chorou, mas não pingou e Jenson Button é McLaren

O Guardian deu na segunda à noite, a BBC correu atrás hoje pela manhã, o site da Autosport ficou a ver navios e Jenson Button é o novo piloto da McLaren.

A própria equipe, na nota em que anunciou o acordo, ressaltou dois fatos históricos:
- será a primeira vez, na Fórmula 1, que um time começa a temporada com os dois campeões recentes e consecutivos do Mundial de Pilotos;
- será a primeira vez que dois campeões britânicos correm juntos desde Graham Hill e Jim Clark na Lotus em 1968.

Temendo a perda iminente do atual detentor do título e seu carro número 1, Ross Brawn, chefe da nova Mercedes, correu para a imprensa nos últimos dias para tentar brecar a avidez de Button por um salário maior e mantê-lo no time, desaconselhando-o a fazê-lo. No entanto, a recusa em pagar mais, apoiada pelos compradores da Brawn GP, fez com que o elemento de marketing que Jenson Button representa para qualquer equipe escorregasse por entre os dedos. 

A McLaren dispensou Kimi Raikkonen* [correção de conceito às 13h19: bem lembra Ico que foi Kimi quem não quis a McLaren] -- que, já sabemos, fará de 2010 seu ano sabático pelo menos em se tratando de Fórmula 1 -- e ficou com ninguém menos do que o defensor do título... como segundo piloto. Aos 29 anos, Button conseguiu o que já não imaginava possível nas últimas temporadas. Foi atrás de dinheiro, status e estrutura técnica que a equipe (novamente?) laranja pode proporcionar. A família Hamilton não brinca em serviço, dizem por aí que vetou Kimi e certamente só aceitou Button porque entende que ele não ofuscará o brilho de Hamilton.

Até agora, as duplas confirmadas para o ano que vem são:
McLaren >> Lewis Hamilton e Jenson Button
Ferrari >> Felipe Massa e Fernando Alonso
Williams >> Rubens Barrichello e Nico Hulkenberg
Red Bull >> Sebastian Vettel e Mark Webber
Toro Rosso >> Sebastien Buemi e Jaime Alguersuari

Quase confirmada:
Mercedes >> Nico Rosberg e Nick Heidfeld

Confirmadas pela metade:
Manor >> Timo Glock
Campos >> Bruno Senna
Renault >> Robert Kubica

Esqueci alguém?

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Time inglês x time alemão x time latino

Esta foto foi tirada da capa do site do jornal britânico Guardian, onde foi publicada por volta das 20h de hoje, no horário de Brasília, sob o título: "Button agrees to join McLaren" (Button concorda em se unir à McLaren).

Segundo o Guardian, o acordo seria de £18 milhões por três anos de contrato, algo em torno de R$17 milhões a cada ano, metade do que leva Lewis Hamilton, mas o dobro do que recebeu da Brawn GP em 2009. Button chamou a atenção da imprensa para a possibilidade de acerto depois de ter visitado a fábrica da McLaren na sexta-feira. O anúncio feito hoje pela Mercedes de compra da Brawn GP teria feito com que Button apressasse sua decisão por entender que a montadora alemã teria interesse em formar um time de conterrâneos, preferivelmente, algo que deve conseguir com Nico Rosberg e Nick Heidfeld.

Se tudo se confirmar, a Fórmula 1 terá, em 2010, ao menos uma equipe totalmente inglesa: a McLaren de Button e Hamilton; uma alemã: a ex-Brawn, atual Mercedes GP com Rosberg e Heidfeld; e uma latina: a italiana Ferrari com o espanhol Alonso e o brasileiro Massa.

(O pequeno detalhe é que a Mercedes continuará, a princípio, baseada em Brackley, na Inglaterra, com um chefe inglês que é Ross Brawn.)

Numa análise rápida, rasteira e imediatista, o time mais forte é a McLaren por um simples cálculo: seria a única a contar com dois campeões mundiais. Além disso, a imprensa inglesa faz questão de frisar que o time teria condições de ter dois carros no mesmo nível para promover uma disputa interna justa e ser competitiva em relação ao resto do grid. Mas papai Anthony e filhinho Lewis são bem espertos, estão em casa, e não se sabe até que ponto deixariam o caminho assim, tão livre, para a concorrência. Hamilton é mais ousado; Button, do tipo técnico.

Felipe Massa parece mole, mas não é. Ao menos nos bastidores, não tão longe assim dos "relações públicas" da Ferrari, andou dando alfinetadas no novo colega. Disse que Alonso terá que entender que ele está lá há mais tempo, deu aquela declaração que obrigou os dois a posarem sorridentes para fotos no GP do Brasil, a de que "era óbvio que Alonso sabia da armação com Nelsinho Piquet no GP de Cingapura do ano passado" -- o que de fato É óbvio. Massa tem ainda o apoio de Michael Schumacher, que o chamou de "irmãozinho" numa entrevista a veículos brasileiros em agosto.

A nova Mercedes GP é que, teoricamente, começa por baixo depois de ter conquistado os títulos de pilotos e construtores em 2009, com dois nomes de pouco sucesso até hoje. Mas, se voltarmos no tempo, começou por baixo também esta temporada: com um piloto recém-saído do fundão da tabela e outro quase aposentado. Sendo assim, é bom não concluir nada antes de ver o trabalho de Ross Brawn na pista após a confirmação de quem ocupará os cockpits.

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Jenson Button gosta de correr (Vettel também)

Logo depois do GP do Brasil, prometi ao Vitor Birner, comentarista e colega de rádio CBN, um post sobre o que eu pude apreender de quem foi Jenson Button na temporada 2009 de Fórmula 1. Pedi a ele que esperasse pelo fim do Grande Prêmio de Abu Dabi porque algo podia sair dali que acrescentasse à visão que tenho de Button. E, de fato, isto aconteceu.

Espere o vídeo carregar e procure os 10'56''. Começa ali o pega entre Jenson Button e Mark Webber. 

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Campeão desde a penúltima etapa, GP do Brasil, Button tem prazer em correr (isso te lembra Kimi Raikkonen?) e nada é mais estimulante para quem acompanha um esporte do que ver os personagens principais dando o sangue na pista, na quadra, no campo, na água. E Jenson Button o fez num traçado que, sabemos agora, não ajuda: o circuito de Yas Marina é veloz, mas praticamente sem pontos de ultrapassagem. Talvez ele soubesse que não conseguiria ultrapassar Webber, como sabíamos nós, mas se divertiu nas últimas voltas e divertiu também a quem assistia ao modorrento GP de Abu Dabi.

A entrevista coletiva foi atração à parte. Bem-humorado, Button ficou sem graça com as piadinhas de Sebastian Vettel sobre o suposto casamento marcado do inglês. No final, entre um sorriso e outro, deu a clássica declaração: "Acho que algumas coisas devem ser mantidas em segredo na sua vida e esta é uma delas. Muito obrigado", e encerrou a coletiva (que você pode ler na íntegra, em inglês, aqui).

Button é solto, boa praça, bom piloto. Gosta de sair à noite e gosta de pilotar, também, assim como você deve gostar de ser advogado e participar do happy-hour na sexta-feira após o expediente. Ele tem todo o direito de dizer que foi o melhor piloto da temporada 2009 porque isto é o óbvio -- e pensar que houve quem questionasse a afirmação. Foi constante, só não pontuou em um GP, o da Bélgica, que abandonou após um acidente em grupo logo na primeira volta. 

O título pode não ter o brilho que teria um de Schumacher, Senna ou até mesmo Alonso, citando exemplos recentes, mas certamente ficou com um dos pilotos mais carismáticos dos últimos tempos. Não é caso de compará-lo a John Surtees, por exemplo, campeão em 1964 com apenas duas vitórias; talvez com Mike Hawthorn, que, diz-se, gostava de uma festinha... A conclusão é que comparar é inútil: cada temporada tem suas peculiaridades, ainda mais numa época em que muito tem mudado da água para o vinho a cada ano.

Agora, uma observação: no final das contas, se tivesse sido adotado o sistema de medalhas de Bernie Ecclestone, mas que definisse não só o primeiro colocado, as três primeiras posições no mundial de pilotos seriam as mesmas que temos hoje:

Jenson Button - 95 pontos - 6 vitórias
Sebastian Vettel - 84 pontos - 4 vitórias
Rubens Barrichello - 77 pontos - 2 vitórias (ganharia de Lewis Hamilton e Mark Webber no desempate por pontos)

A diferença -- e é bom que Bernie preste atenção neste fator -- é que a disputa por pontos fez com que o interesse no campeonato se mantivesse durante toda a temporada, algo que não aconteceria depois da meia-dúzia de vitórias de Jenson Button.

Este post não pode ser encerrado sem que se frise o desempenho de Sebastian Vettel: chorou muito quando deixou escapar a chance de brigar pelo título, no Brasil, e comemorou ainda mais a vitória na última etapa do ano. Vettel expõe sem receio a paixão que tem pelo esporte e pelo triunfo. Nos próximos anos, um dos títulos será dele.

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Mais um GP do Brasil, mais uma decisão. E um perfil de Jenson Button (#F1)

E tudo em áudio. Mas prometo que o blog voltará a ser um texto-blog e não só um áudio-blog na semana que segue!

O final de semana foi intenso. E tudo o que aconteceu no sábado, aconteceu ao contrário no domingo. Jenson Button é campeão mundial junto com a Brawn, campeã de Construtores. Ambos, títulos merecidos por conta de trabalhos talvez sem brilho, mas consistentes.

O perfil de Jenson Button foi ao ar nas rádios Globo e CBN durante a transmissão, antes da corrida, que foi a penúltima etapa do campeonato de Fórmula 1.

  

  

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Campeonato cada vez mais bagunçado e um escândalo perigoso para Piquets e Briatore

Neste post, há duas reportagens: uma delas é o resumo da corrida deste domingo, o GP da Bélgica, décima-primeira etapa do campeonato de Fórmula 1. Kimi Raikkonen, que não vencia desde Barcelona 2008, voltou ao topo do pódio e pode, se quiser, reencontrar o ânimo para disputar a categoria. Seu contrato com a Ferrari dura mais uma temporada e seu desempenho começa a melhorar no exato momento em que as especulações sobre sua saída são constantes e barulhentas.

A pole e o segundo lugar de Giancarlo Fisichella, da Force India, neste final de semana ajudaram-no a ganhar crédito para substituir o vexame chamado Luca Badoer no carro 3 da Ferrari. No entanto, há fortes especulações de que a vaga deve ser ocupada por Fernando Alonso, da Renault. No Twitter, o piloto de testes da equipe francesa, Lucas di Grassi, disse que hoje foi um dia de trabalho duro para ele e para a Renault, e que novidades surgirão durante a semana.

Barrichello somou só dois pontos, mas Jenson Button abandonou e, pela primeira vez em doze etapas, não pontuou. A diferença caiu para 16 pontos.

A outra reportagem, é um boletim contando o que está sendo investigado pela Federação Internacional de Automobilismo, conforme informou Reginaldo Leme durante a transmissão da corrida na TV Globo. O chefe da Renault, Flavio Briatore, teria planejado o acidente sofrido por Nelsinho Piquet no GP de Cingapura, que deu a Fernando Alonso a vitória após a entrada do safety car. Se for confirmado, Nelsinho e Briatore certamente sairão prejudicados, com a imagem totalmente manchada.

Nas fotos, dois que se deram bem no final de semana (Vijay Mallya, dono da Force India, e Raikkonen) e um perdedor. Será Badoer carrasco ou vítima de uma escolha completamente equivocada de Michael Schumacher, digo, da Ferrari?

  

  

     

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A emoção demorou, mas parece que chegou à Fórmula 1

Há alguns dias, pouco antes do GP da Hungria, parei para reler posts antigos, do início da temporada da Fórmula 1. Até a sétima etapa, eram seis vitórias de Jenson Button e apenas uma de outro competidor, Sebastian Vettel (Red Bull). Era natural que as análises dessem conta de um campeonato praticamente decidido, com Button disparado na ponta.

Na oitava etapa, cujo resultado foi retratado da forma acima por Bruno Mantovani, Vettel subiu de novo no topo para fazer crer que as coisas podiam realmente ser diferentes. Naquela corrida, o nome de Button não foi apagado do primeiro lugar, mas do pódio: era a primeira vez em que ele não ficava entre os três primeiros. E desde então, Button não venceu mais: na Alemanha, deu Mark Webber (Red Bull) e na Hungria, um surpreendente Lewis Hamilton (McLaren) e seu MP4-24, o primeiro piloto que usa KERS a vencer nesta temporada.

Nesta semana, tudo o que se quer saber, é claro, é sobre o estado de saúde de Felipe Massa. O ferrarista brasileiro está bem, enxerga, fala para alívio de todos -- somos jornalistas e somos gente também, estamos incluídos neste "todos"; reportamos mas, por dentro, torcemos; se não o fizessemos, arriscaria dizer que teríamos perdido parte de nossa condição humana. Já a vaga que será aberta por sua ausência em Valência pode ser ocupada por Luca Badoer ou Marc Gené, pilotos de teste da Ferrari, e até por Fernando Alonso, quem sabe? Especulações não faltam. (Agora são 14h e parece que o empresário de Michael Schumacher voltou atrás na negativa, ou seja, o hepta volta a ser candidato.)

Enquanto Felipe se recupera com tranquilidade, continuemos pensando no que foi feito da temporada 2009. Ela tinha tudo para tornar-se desinteressante, principalmente para aqueles que não são tão aficionados assim por Fórmula 1. A Red Bull foi a primeira a ameaçar a Brawn: no mundial de construtores, agora, são só 15,5 os pontos que as separam. No de pilotos, a vantagem de Button caiu: são 18,5 pontos para o segundo colocado Mark Webber.

No entanto, sem delongas, o mais surpreendente foi o salto de McLaren e Ferrari: sinal muito claro de que, na Fórmula 1, pouca coisa resiste ao tempo de que tem dinheiro.

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