Coerência pode ser tanta coisa. Para simplificar, fiquemos com duas variantes: tomar uma decisão com base no talento, escolhendo aqueles que hoje estão jogando melhor e são frequentemente escalados nos clubes onde jogam, ou, como acredita Dunga, ser fiel. Coerência, para Dunga, é sinônimo de fidelidade. Ou "parceria".
A imagem é esta:
O último post do blog, escrito há mais de uma semana, começou com um pedido de tempo para absorver o que havia se passado em Curitiba na última rodada do Brasileirão 2009. O jogo era Coritiba 1x1 Fluminense: Coxa na segunda divisão, Fluminense livre do rebaixamento.
(Enquanto as imagens da guerra no estádio Couto Pereira, em Curitiba-PR, povoam o meu pensamento, falemos um pouco de futebol. É melhor digerir antes de bradar qualquer coisa sobre o absurdo que se passou neste domingo.)
Para encerrar, um pitaco de um vizinho de muro na vida do outro: Rogério Ceni e sua percepção do Campeonato Brasileiro de 2009.
S.E. Palmeiras 04/12/2009 20h45A Sociedade Esportiva Palmeiras, através dos poderes que constituem a sua administração, vem manifestar seu repúdio à agressão praticada, na tarde da última terça-feira, por três integrantes da facção denominada Mancha Alviverde, contra nosso atleta Vagner Love. Tal ato, covarde e violento, praticado no momento decisivo do campeonato nacional, visa obviamente tumultuar o sério trabalho que vem sendo desenvolvido por esta gestão, na parte social do clube e no seu departamento de futebol. Nossa sociedade acompanhará o processo iniciado com a detenção dos agressores, objetivando sua condenação e punição. Por outro lado, aguarda o Palmeiras que as autoridades, especialmente o Ministério Público, tomem todas as medidas que evitem a repetição de fatos lamentáveis como esse, ainda que tais medidas possam implicar na responsabilização e punição da entidade a que os agressores se filiam. Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo - Presidente
Salvador Hugo Palaia - 1º Vice-Presidente
Clemente Pereira Jr. - 2º Vice-Presidente
Gilberto Cipullo - 3º Vice-Presidente
Edvaldo Frasson Teixeira - 4º Vice-Presidente
Antonio Augusto Pompeu de Toledo - Presidente do Conselho de Orientação e Fiscalização
Décio Perin - Vice-Presidente do Conselho de Orientação e Fiscalização
José Ângelo Vergamini - Presidente do Conselho Deliberativo
João Gilberto Raffaelli - Vice-Presidente do Conselho DeliberativoS.E. Palmeiras
Seria bom se, nesta semana, tudo o que se fizesse no mundo(inho) do futebol fosse falar sobre este gol:
Hoje é sábado não de folga, mas sem jogos por conta da tabela do Campeonato Brasileiro, que prevê todas as partidas acontecendo no mesmo horário nas duas últimas rodadas. E neste sábado, passeava pelo Twitter quando encontrei uma indicação de Diogo Kotscho de um vídeo no YouTube: a segunda parte de um programa especial sobre a preparação da Seleção Brasileira para a Copa de 1986. Achei também a primeira e posto aqui as duas.
"Eu disse na hora e vou dizer novamente que, sim, eu toquei a bola com a mão. Eu não sou um trapaceiro e nunca fui. Foi uma reação instintiva a uma bola que vinha extremamente rápida numa área penal cheia de gente.Como jogador, você não tem o luxo da televisão para reduzir o ritmo da bola em 100 vezes para poder tomar uma decisão consciente. Pessoas estão vendo uma versão em slow motion do que aconteceu e não o que eu ou qualquer outro jogador enfrenta no jogo. Se as pessoas olharem o lance na velocidade real, notarão que foi uma reação instintiva.É impossível que seja qualquer outra coisa que não isso. Eu nunca neguei que a bola foi controlada com minha mão. Eu disse aos jogadores irlandeses e ao árbitro e à mídia após o jogo. Naturalmente, eu me sinto envergonhado pelo modo como nós ganhamos e peço desculpas pelos irlandeses que definitivamente merecem estar na África do Sul. É claro que a solução mais justa seria jogar de novo a partida, mas isto está fora do meu controle. Há pouco mais que eu possa fazer além de admitir que a bola tocou minha mão antes do nosso gol de empate e que eu me sinto mal pelos irlandeses".
O capitão da Irlanda, Robbie Keane, disse em resposta:
"Em nome dos jogadores da República da Irlanda, eu gostaria de agradecer Thierry Henry pelo seu pronunciamento nesta tarde de que remarcar o jogo seria a opção mais justa.Para o capitão do time francês, foi preciso coragem e honra para dizer isto, e todos nós reconhecemos isto. Como capitão do time da República da Irlanda, eu também ficaria feliz com a disputa de um novo jogo em nome do fair play para que qualquer um dos times que se qualifique, possa fazê-lo com a cabeça erguida. Nós esperamos apenas que a Federação Francesa de Futebol possa aceitar os desejos dos dois capitães em nome do que é melhor para o jogo".