Posterous theme by Cory Watilo

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Villareal

Queria reclamar da Lume, empresa que contrata os temporários do Terra e que, a cada dia, me impõe uma nova, surpreendente e emocionante dificuldade. No entanto, o post que eu escrevo na fila eterna do Poupatempo (é a segunda vez aqui no dia graças a quem? Adivinhem?) até é cricri, mas com outra coisa.

Villareal. Em português, "vilareau". Em castellano da Espanha, algo mais para "bilharrreallll", com Rs e o L final emitidos contando com participação significativa da sua língua.

Me conte você, leitor sabido, porque cazzo alguém que quer mostrar sua erudição, expor ao mundo que sabe dizer o nome da coisa direitinho, sempre manda um "vijareau" no ar?

Pra começar, falar "ll" com esse som de "j" seco é coisa dos povos do... Do... Sei lá de onde, nunca ouvi.

"Casijas"? "David Vija"? Tá.

Pra terminar, é aquilo que está escrito no segundo parágrafo deste post. E pra concluir mesmo, uma sugestão: português OU língua estrangeira. As duas misturadas, não dá.

Tem só 4 pessoas na minha frente. Um post sempre ajuda.

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Na "boleiragem" e na "parceria", não se espante se der tudo certo

Coerência pode ser tanta coisa. Para simplificar, fiquemos com duas variantes: tomar uma decisão com base no talento, escolhendo aqueles que hoje estão jogando melhor e são frequentemente escalados nos clubes onde jogam, ou, como acredita Dunga, ser fiel. Coerência, para Dunga, é sinônimo de fidelidade. Ou "parceria". 

 
No meu mundo, no seu mundo, no mundo daqueles que querem ver seus melhores conterrâneos selecionados para representar o país numa Copa do Mundo, pode não fazer sentido algum. No mundo deles, faz.
 
"Boleiragem", tuitei mais cedo. Alguns dos escolhidos não são os melhores e talvez saibam disso. É coisa de boleiro: Dunga também tem ciência, mas, por outro lado, tem todos eles nas mãos. São jogadores a quem o treinador deve sua boa campanha no comando do time e jogadores que devem ao técnico sua permanência na seleção. Estão fechados. E é por isso que a boleiragem pode dar certo. 
 
Doni no grupo? A chance de ele jogar é de 0,03%. Não compromete e ainda sinaliza para os demais que Dunga é "parceiro" -- eles gostam demais dessa história de "parceiro. Afinal, Doni segurou a barra do treinador na Copa América. Nada mais justo, nos termos da parceiragem, do que chamar o goleiro que nem no banco da Roma tem ficado. "Dunga não é traíra" é o que você ouviria se, como uma mosca, pudesse entrar na sala de boa parte dos jogadores de futebol que acompanharam a convocação pela televisão.
 
É mais ou menos o que aconteceu em 2002 com Felipão. Romário fora, povo rebelde. Mas, ali dentro, havia segurança. Jogaram por Felipão. Pode ser que para mim e para você Dunga não tenha carisma algum. Só que no vestiário da seleção a história é diferente. Por isso, não se surpreenda se o time que não tem os melhores jogadores brasileiros da atualidade tiver um bom desempenho na Copa do Mundo.

Sobre Lincoln x Renata Fan

Na semana passada, os torcedores do Palmeiras, que são muito ativos na internet, comentaram o episódio da discussão ao vivo entre a apresentadora Renata Fan (TV Bandeirantes) e o meia Lincoln, que acabava de ser apresentado como reforço. Nos fóruns online, a maioria comemorava o "fora" que o jogador teria dado na apresentadora. Criaram até uma tag no Twitter, a #LincolnFacts. As imagens são estas daqui:

Ainda não consegui identificar o sucesso da atitude do Lincoln. Renata Fan se explicou, dr. Osmar tentou emendar e estragou o soneto, Neto fez carinho no jogador. O programa seguiu caótico, nenhuma novidade.

A história é a seguinte: alguém muito próximo do Lincoln assistiu à Renata Fan dizer qualquer coisa sobre o rapaz e ficou profundamente ofendido, chateado e choroso. O jogador se doeu, viu a "grande oportunidade" se apresentar e acabou protagonizando uma verdadeira patacoada. Lincoln é um cara esclarecido, dá entrevistas muito acima da média dos jogadores brasileiros, mas creio que escorregou nessa.

Sei que boa parte da torcida do Palmeiras não gosta do programa apresentado por Renata e mais do que compreendo os motivos, mas Lincoln não precisava ter se prestado a atuar no mesmo nível, a participar desta cena bizarra a la Marcia Goldschimidt.

Um erro, outro erro e mais um erro

A imagem é esta:

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Uma crítica ao comportamento de Narciso, técnico do Santos na Copa SP de Futebol Júnior, já foi sucintamente bem feita aqui. Incontáveis foram as reclamações, justas, a meu ver, sobre o lance em que o goleiro do São Paulo devia ter sido expulso -- pior: ele ficou e defendeu três cobranças na disputa de pênalti. Sendo assim, gasto as próximas poucas linhas para falar sobre a presença da Polícia Militar em campo.

Não me importa que venham aqui dizer que "no país xis, lindo e organizado, é assim". Em nenhum lugar a PM deveria ser responsável por cuidar da segurança de um árbitro de futebol durante uma partida. Muito menos por aqui, onde as corporações têm um déficit visível de treinamento para diferentes tipos de situação. É claro que Narciso errou, é claro que deu mau exemplo e que não podia ter colocado o dedo na cara do juiz (tanto que o péssimo desempenho do Santos nas cobranças certamente está ligado ao stress causado pela situação), mas também é óbvio que o policial em questão teve um "espasmo de dever": chegou atrasado e foi com tudo pra cima do treinador. Foi uma bola de neve de cenas bizarras.

ALIÁS... Os campos, no Brasil, são um caos. Enquanto a tradicional Jovem Pan coloca anúncios nos jornais paulistas exigindo que o trabalho dos repórteres seja liberado dentro das quatro linhas, não tenho o menor pudor em defender que uma zona mista organizada traria resultados mais úteis e bem menos clichês aos ouvidos do público (seleção brasileira não chega a ser parâmetro porque o caos é quadruplicado). No campo, para cada declaração que acrescenta algo, há pelo menos quatro: "Faltou o gol", independentemente do que você pergunte, o que é pior. Bom, também não sei se o número de pessoas preocupadas com conteúdo é tão grande assim. Esporte é entretenimento, mas não custa nada proporcionar boa informação também. Alguma outra sugestão?

Coritiba: cumpra a punição ou não, muda algo de fato?

O último post do blog, escrito há mais de uma semana, começou com um pedido de tempo para absorver o que havia se passado em Curitiba na última rodada do Brasileirão 2009. O jogo era Coritiba 1x1 Fluminense: Coxa na segunda divisão, Fluminense livre do rebaixamento.

Nesta terça à noite, o STJD puniu o clube com a perda de mando de campo em 30 partidas e aplicação de multa de R$ 610 mil.

Pouco, não é. O problema é que, obviamente, o Coritiba entrará com recurso. Aí é que será a hora de este tribunal confuso (preferimos ingenuamente acreditar que assim deva ser qualificada sua grande falha) provar sua valia. Antes terminassem aí todas as nossas preocupações.

Durante estes dias, li e ouvi e vi muita gente boa frisando o quão significativo é este momento no sentido de que ações afiadas, consequência da guerra no Couto Pereira, poderiam marcar uma mudança geral de postura no futebol brasileiro. 

O problema é maior: por aqui, mortos e feridos fazem com que muita gente -- supostos torcedores inclusos -- simplesmente dê de ombros. E é isto o que mais dá desgosto. É difícil crer que algo do tipo jamais volte a acontecer, seja a pena do Coritiba cumprida da forma que foi estipulada nesta terça ou paga em cestas básicas, serviços comunitários, etc.

Nossas questões culturais mal resolvidas são profundas demais, densas demais para serem descompostas e reconstruídas pelas decisões de um tribunal de credibilidade capenga.

PS: O funcionário do departamento de Marketing do Coxa, Osvaldo Dietrich, foi punido com dois anos de afastamento do futebol. O dano causado por ele -- e tantos outros do mesmo tipo que estavam naquele campo -- foi mais social do que futebolístico. Ser punido na esfera desportiva é pouco, muito pouco.

As vozes do título, de um grande fiasco e de uma decepção

(Enquanto as imagens da guerra no estádio Couto Pereira, em Curitiba-PR, povoam o meu pensamento, falemos um pouco de futebol. É melhor digerir antes de bradar qualquer coisa sobre o absurdo que se passou neste domingo.)

Flamengo é campeão! As polêmicas em contrário são tão repetitivas que até dá sono.

Tem o Sport ameaçando processar veículos e jornalistas que chamarem o Flamengo de hexacampeão e não de penta (praticamente todos). Tudo porque o time carioca venceu o Módulo Verde ou Copa União -- a primeira divisão daquele ano, quer queiram os torcedores do Sport ou não -- e, junto com o vice-campeão Internacional, se recusou a disputar o quadrangular final com Sport e Guarani, campeão e vice do Módulo Amarelo ou Copa Brasil. 

Depois de tudo isso, tem ainda a eterna discussão: Corinthians e Grêmio entregaram ou não? Infelizmente, está para surgir quem possa provar este tipo de coisa pelo simples fato de ser algo totalmente subjetivo -- exemplo: um jogador, sozinho, pode destruir qualquer intenção do seu time de vencer uma partida se ele decidir, sem contar para ninguém, que vai facilitar as coisas para o adversário. De qualquer forma, já há um vídeo no YouTube que daria pistas de um suposto "amolecimento" do Grêmio para que o Flamengo vencesse.

Isto posto, segue a história contada em poucas palavras por Andrade. Na minha modesta opinião, o grande personagem da campanha do Flamengo. Como jogador, ajudou o clube a vencer quatro títulos como este (1980, 82, 83, 87), além de ter uma Libertadores e o Mundial da Fifa, ambos de 1981. Como técnico, desacreditado, jeito simples, elevou a equipe ao topo. 

Vencedor é só um. Do segundo lugar para baixo, são todos perdedores. Mas uns são mais do que os outros. E é aí que entra o Palmeiras. Depois de passar 19 rodadas na liderança, despencou a ponto de não conseguir vaga na Copa Libertadores da América, terminou em quinto. O curioso é que aquilo que falou o vice-presidente de Futebol, Gilberto Cipullo, após a derrota por 2x1 para o Botafogo faz todo o sentido.

O Palmeiras seguiu a "cartilha do bom planejador" à risca e nada funcionou. Talvez por demérito do tal técnico de ponta que deixou as bobeiras entre jogadores, que fazem parte do dia-a-dia de qualquer clube, se transformarem em crise interna; que não percebeu quando seus atletas começaram a se preocupar mais com os resultados dos adversários na tabela do que com sua própria performance em campo. Isto não é dito sem embasamento: a teoria é compartilhada por parte dos jogadores, ao menos. É clichê e é fato: 2009 foi jogado no lixo pelo Palmeiras. Mas ainda quero ver mais de Luiz Gonzaga Belluzzo na presidência -- deve ter aprendido incontáveis lições.

Ainda sobre o que disse Cipullo, o clube adotou diretrizes admiráveis na montagem do grupo e terminou fora do G4. Já o Flamengo teve: técnico novato, jogador-problema vindo da Europa ganhando muito e não indo aos treinos, jogador sendo empurrado goela abaixo para sanar dívidas trabalhistas que virou ídolo. As linhas foram muito tortas e o resultado, o melhor possível.

Por fim, vem aí o São Paulo. Se Andrade foi o responsável por fazer o resumo da temporada do Flamengo, fiquemos agora com o diagnóstico de Rogério Ceni sobre a equipe da qual é capitão.

Para encerrar, um pitaco de um vizinho de muro na vida do outro: Rogério Ceni e sua percepção do Campeonato Brasileiro de 2009.

A surpresa positiva foi o Fluminense. Se o Palmeiras "era campeão brasileiro", o Flu era o virtual rebaixado. E se salvou.

Acabou mais uma edição do Brasileirão: sem dúvidas, a mais imprevisível, e por isso surpreendente, de todos os tempos.

Três dias depois, Palmeiras divulga nota de repúdio

Se ela veio atrasada, pelo menos serve para você repassar os nomes dos ocupantes dos altos cargos do clube, nas assinaturas. Vale o registro.

S.E. Palmeiras

04/12/2009 20h45

A Sociedade Esportiva Palmeiras, através dos poderes que constituem a sua administração, vem manifestar seu repúdio à agressão praticada, na tarde da última terça-feira, por três integrantes da facção denominada Mancha Alviverde, contra nosso atleta Vagner Love.

Tal ato, covarde e violento, praticado no momento decisivo do campeonato nacional, visa obviamente tumultuar o sério trabalho que vem sendo desenvolvido por esta gestão, na parte social do clube e no seu departamento de futebol.

Nossa sociedade acompanhará o processo iniciado com a detenção dos agressores, objetivando sua condenação e punição.

Por outro lado, aguarda o Palmeiras que as autoridades, especialmente o Ministério Público, tomem todas as medidas que evitem a repetição de fatos lamentáveis como esse, ainda que tais medidas possam implicar na responsabilização e punição da entidade a que os agressores se filiam.

Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo - Presidente
Salvador Hugo Palaia - 1º Vice-Presidente
Clemente Pereira Jr. - 2º Vice-Presidente
Gilberto Cipullo - 3º Vice-Presidente
Edvaldo Frasson Teixeira - 4º Vice-Presidente
Antonio Augusto Pompeu de Toledo - Presidente do Conselho de Orientação e Fiscalização
Décio Perin - Vice-Presidente do Conselho de Orientação e Fiscalização
José Ângelo Vergamini - Presidente do Conselho Deliberativo
João Gilberto Raffaelli - Vice-Presidente do Conselho Deliberativo

S.E. Palmeiras

Futebol x Desvios em série

Seria bom se, nesta semana, tudo o que se fizesse no mundo(inho) do futebol fosse falar sobre este gol:

É claro que seria demais querer algo assim nos dias que antecedem o fim do Campeonato Brasileiro mais disputado nesta era de pontos corridos, desde 2003.

1. Já que este post começou de verde, vamos para o Palmeiras: as primeiras informações chegaram truncadas e sem apuração, mas o que se soube, ao fim, é que Vagner Love foi agredido hoje na mesma agência bancária em que Lenny foi incomodado na semana passada, perto do clube. Os "torcedores" estão pres os no 23° DP, em São Paulo.

Chamá-los de torcedores é incompetência léxica tremenda. Não hesito em dizer que devem ser, no mínimo, desocupados para levar a cabo a emboscada no meio de uma tarde de terça-feira. Gostaria de saber, também, se o salário deles está em dia, se a família tem bons hospitais públicos para procurar em caso de necessidade e se eles frequentaram escolas públicas decentes na infância -- três ideias-clichê que fazem todo o sentido. Se as respostas foram "não", "não" e "não", então creio que a energia deste tipo de gente está sendo mal gasta. Estão brigando por algo inútil demais perto destas outras três e mais demandas.

2. Entrega, Grêmio? Começo a pender pro lado de quem defende finais entre primeiro e segundo colocado. Ou até o formato do Paulistão, em que primeiro e quarto, segundo e terceiro fazem as duas semifinais. Vi alguns comentaristas de TV dizendo que "em vinte anos de futebol, NUNCA viram uma equipe entregar jogo". Em um quinto deste tempo, eu já vi e digo a vocês: jogadores entregam, sim. Se quatro titulares entram num quarto e têm uma ideia genial destas, esqueçam, o jogo está entregue.

3. "Achei que ele fosse bater no meio"? Faça-me o favor, não, Felipe? A leitura labial (que qualquer um pode fazer neste caso porque é muito claro) mostrou-o dizendo: "Eu vou ficar parado, vou ficar parado". 

4. Para fechar com chave de ouro, vem Vanderlei Luxemburgo dizer que se ainda estivesse no comando do Palmeiras, a equipe teria sido campeã com antecedência de rodadas. 

Deu por hoje. Rumo ao Capacete de Ouro.

Sugestão de fim de semana (com indicação de @dkotscho): a preparação da Seleção de 1986

Hoje é sábado não de folga, mas sem jogos por conta da tabela do Campeonato Brasileiro, que prevê todas as partidas acontecendo no mesmo horário nas duas últimas rodadas. E neste sábado, passeava pelo Twitter quando encontrei uma indicação de Diogo Kotscho de um vídeo no YouTube: a segunda parte de um programa especial sobre a preparação da Seleção Brasileira para a Copa de 1986. Achei também a primeira e posto aqui as duas.

Aproveitem o tempo livre e assistam. Cada vídeo tem aproximadamente dez minutos.

Não vou aqui ficar tecendo comparações rasas ou fazer juízos de valor de qualquer tipo. Mas não me furtarei a dividir com vocês, além dos vídeos, algumas poucas observações sobre algo que se passou há 24 anos.

- A entrevista de Sócrates na segunda parte é algo que me assombra -- pela profundidade e clareza de pensamento que, sabe-se, ele tinha e também porque eu, particularmente, nunca tinha assistido a uma entrevista do doutor vinda direto daquela época. Há quatro anos cobrindo futebol, confesso a vocês que sonho com o dia em que uma conversa destas com um jogador será novamente possível. No entanto, friso: Sócrates é um evento peculiar, um ser cujas características não têm necessariamente a ver com o que era comum em seu tempo e, por isso, meu pensamento caminha desvinculado de qualquer tipo de nostalgia. É preciso torcer, então, para que nasça um outro Sócrates.

- Outro pensamento surge agora na contramão do anterior: bons tempos aqueles em que o grupo não "rachava" quando alguém dizia que havia jogadores psicologicamente despreparados para estar na Seleção -- despreparo não é algo irreversível. Ou quando era dito simplesmente que a harmonia era impossível por causa da diversidade do grupo.

- Na primeira parte, ouve-se as vozes dos próprios jogadores -- não é playback! -- cantando o Hino Nacional. (Aliás, essa fixação por símbolos nacionais ainda me intriga, mesmo fazendo todo o sentido; mas esta é outra conversa, não tem nada a ver com este post.)

As notas oficiais de Thierry Henry e Robbie Keane na íntegra. Por que tudo é tão complicado?

O lance que deu à França a vaga na Copa do Mundo da África, você já deve ter visto. Senão, veja agora.

Nesta sexta, Thierry Henry, atacante do Barcelona e da seleção francesa, emitiu a seguinte nota:
"Eu disse na hora e vou dizer novamente que, sim, eu toquei a bola com a mão. Eu não sou um trapaceiro e nunca fui. Foi uma reação instintiva a uma bola que vinha extremamente rápida numa área penal cheia de gente.

Como jogador, você não tem o luxo da televisão para reduzir o ritmo da bola em 100 vezes para poder tomar uma decisão consciente. Pessoas estão vendo uma versão em slow motion do que aconteceu e não o que eu ou qualquer outro jogador enfrenta no jogo. Se as pessoas olharem o lance na velocidade real, notarão que foi uma reação instintiva.

É impossível que seja qualquer outra coisa que não isso. Eu nunca neguei que a bola foi controlada com minha mão. Eu disse aos jogadores irlandeses e ao árbitro e à mídia após o jogo. Naturalmente, eu me sinto envergonhado pelo modo como nós ganhamos e peço desculpas pelos irlandeses que definitivamente merecem estar na África do Sul. É claro que a solução mais justa seria jogar de novo a partida, mas isto está fora do meu controle. Há pouco mais que eu possa fazer além de admitir que a bola tocou minha mão antes do nosso gol de empate e que eu me sinto mal pelos irlandeses".

 

O capitão da Irlanda, Robbie Keane, disse em resposta:

"Em nome dos jogadores da República da Irlanda, eu gostaria de agradecer Thierry Henry pelo seu pronunciamento nesta tarde de que remarcar o jogo seria a opção mais justa.

Para o capitão do time francês, foi preciso coragem e honra para dizer isto, e todos nós reconhecemos isto. Como capitão do time da República da Irlanda, eu também ficaria feliz com a disputa de um novo jogo em nome do fair play para que qualquer um dos times que se qualifique, possa fazê-lo com a cabeça erguida. Nós esperamos apenas que a Federação Francesa de Futebol possa aceitar os desejos dos dois capitães em nome do que é melhor para o jogo".

A FIFA já informou que não remarcará a partida. Isto nos leva à questão mais simples e ingênua, que seja: por que tudo é tão complicado? Se as duas partes essenciais para a disputa, aquelas que entram em campo, pensam o mesmo, dá desgosto ver a burocracia reinar. O mundo cansa, às vezes.