LUCAS DI GRASSI. Começando com o menos pior.
Há cerca de duas semanas, logo após o GP da China, entrevistei Lucas di Grassi em seu escritório, em São Paulo. Parte da conversa faz parte de uma reportagem que estará na edição de junho da Revista ESPN. Outra parte, eu conto aqui. Num determinado momento da conversa, falamos sobre o fato de ele ter sido o primeiro piloto da Virgin a terminar uma corrida (14° lugar na Malásia). Lucas dizia não ter privilégios por causa disso, mas afirmou que se sentia confortável por ter conseguido levar o carro até o fim quando as condições técnicas permitiram. Ou seja, quando o carro não falhou, o piloto foi bem e completou o trabalho. Lucas demonstrava confiança numa espécie de acordo tácito.
Por causa da erupção do vulcão você-sabe-o-nome, na Islândia, o retorno do time para a Europa atrasou e só um carro ficou pronto com os updates previstos para a temporada europeia, que começaria na Espanha. O companheiro de Lucas, Timo Glock, tem 28 anos e 41 GPs no currículo. Mesmo com resultados pouco expressivos, estes números já são suficientes para denotar mais experiência e, portanto, fazer de Glock o merecedor do tal carro.
Por outro lado, e lembrando da conversa com Lucas, ficou uma pulga atrás da orelha: porque não ele, o único a completar um GP até então, guiaria o carro modificado? Em treinos classificatórios, Glock vence Lucas por 5x0. Nas provas, o brasileiro acumula um 14° e um 19° lugares enquanto Glock terminou apenas o GP da Espanha, em 18°.
Em Barcelona, Lucas fechou o GP uma posição atrás do companheiro no quali e na prova. Ao menos nos primeiros treinos livres em Mônaco, nesta quinta-feira, parece que o brasileiro começou a responder: se levados em conta os tempos das duas sessões, ele foi 0s243 mais veloz que Glock. Lucas se animou a ponto de dizer que espera até marcar pontos no final de semana, mas só se -- e sempre "se" -- o carro durar até o fim da prova.
BRUNO SENNA. É aí que o bicho pega.
A situação de Lucas di Grassi na Virgin é ruim, mas a de Bruno Senna é pior. Lucas acredita que a Virgin tem todas as condições necessárias para terminar o ano como a melhor equipe das novatas. Já Bruno enfrenta dificuldades para fazer o carro andar reto na reta e fazer a curva na curva.
Os problemas de Bruno são dos mais variados: vão de aerodinâmica a quebra de componentes simples. Às vezes eu me pego ansiosa por ele, parece que não há saída. A não ser, é claro, ter uma paciência de Jó para esperar uma proposta melhor de outro time, quem sabe.
Segundo Bruno, a corrida de Mônaco será a mais difícil do ano para ele e seu companheiro Karun Chandhok. Ele calcula tomar seis segundos dos demais. Nos primeiros treinos livres, foram 7s244 a mais que Fernando Alonso (1:14:904). Bruno fez apenas 11 voltas enquanto Chandhok completou 36 e foi quase dois segundos mais veloz que o brasileiro.
A Hispania parece completamente perdida: identificou um problema com o carro saindo de traseira no primeiro treino, refez os acertos e o carro piorou na segunda etapa. Depois disso, a caixa de câmbio quebrou. Bruno diz ter sugerido a troca do assoalho do carro e emendou um "Deus queira que dê tudo certo" ou algo do tipo. Lívio Oricchio publicou hoje no Estadão que Bruno tem ciência de que a equipe só tem, por exemplo, um bico para os dois carros (a reportagem está aqui:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100513/not_imp551059,0.php ). Se a Ferrari do ano passado era uma carroça (que heresia!), a existência da Hispania é algo inominável.
Haja paciência...