ENTRELACE v2.0 por Vanessa Ruiz

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As vozes do título, de um grande fiasco e de uma decepção

(Enquanto as imagens da guerra no estádio Couto Pereira, em Curitiba-PR, povoam o meu pensamento, falemos um pouco de futebol. É melhor digerir antes de bradar qualquer coisa sobre o absurdo que se passou neste domingo.)

Flamengo é campeão! As polêmicas em contrário são tão repetitivas que até dá sono.

Tem o Sport ameaçando processar veículos e jornalistas que chamarem o Flamengo de hexacampeão e não de penta (praticamente todos). Tudo porque o time carioca venceu o Módulo Verde ou Copa União -- a primeira divisão daquele ano, quer queiram os torcedores do Sport ou não -- e, junto com o vice-campeão Internacional, se recusou a disputar o quadrangular final com Sport e Guarani, campeão e vice do Módulo Amarelo ou Copa Brasil. 

Depois de tudo isso, tem ainda a eterna discussão: Corinthians e Grêmio entregaram ou não? Infelizmente, está para surgir quem possa provar este tipo de coisa pelo simples fato de ser algo totalmente subjetivo -- exemplo: um jogador, sozinho, pode destruir qualquer intenção do seu time de vencer uma partida se ele decidir, sem contar para ninguém, que vai facilitar as coisas para o adversário. De qualquer forma, já há um vídeo no YouTube que daria pistas de um suposto "amolecimento" do Grêmio para que o Flamengo vencesse.

Isto posto, segue a história contada em poucas palavras por Andrade. Na minha modesta opinião, o grande personagem da campanha do Flamengo. Como jogador, ajudou o clube a vencer quatro títulos como este (1980, 82, 83, 87), além de ter uma Libertadores e o Mundial da Fifa, ambos de 1981. Como técnico, desacreditado, jeito simples, elevou a equipe ao topo. 

  

Vencedor é só um. Do segundo lugar para baixo, são todos perdedores. Mas uns são mais do que os outros. E é aí que entra o Palmeiras. Depois de passar 19 rodadas na liderança, despencou a ponto de não conseguir vaga na Copa Libertadores da América, terminou em quinto. O curioso é que aquilo que falou o vice-presidente de Futebol, Gilberto Cipullo, após a derrota por 2x1 para o Botafogo faz todo o sentido.

  

O Palmeiras seguiu a "cartilha do bom planejador" à risca e nada funcionou. Talvez por demérito do tal técnico de ponta que deixou as bobeiras entre jogadores, que fazem parte do dia-a-dia de qualquer clube, se transformarem em crise interna; que não percebeu quando seus atletas começaram a se preocupar mais com os resultados dos adversários na tabela do que com sua própria performance em campo. Isto não é dito sem embasamento: a teoria é compartilhada por parte dos jogadores, ao menos. É clichê e é fato: 2009 foi jogado no lixo pelo Palmeiras. Mas ainda quero ver mais de Luiz Gonzaga Belluzzo na presidência -- deve ter aprendido incontáveis lições.

Ainda sobre o que disse Cipullo, o clube adotou diretrizes admiráveis na montagem do grupo e terminou fora do G4. Já o Flamengo teve: técnico novato, jogador-problema vindo da Europa ganhando muito e não indo aos treinos, jogador sendo empurrado goela abaixo para sanar dívidas trabalhistas que virou ídolo. As linhas foram muito tortas e o resultado, o melhor possível.

Por fim, vem aí o São Paulo. Se Andrade foi o responsável por fazer o resumo da temporada do Flamengo, fiquemos agora com o diagnóstico de Rogério Ceni sobre a equipe da qual é capitão.

  

Para encerrar, um pitaco de um vizinho de muro na vida do outro: Rogério Ceni e sua percepção do Campeonato Brasileiro de 2009.

  

A surpresa positiva foi o Fluminense. Se o Palmeiras "era campeão brasileiro", o Flu era o virtual rebaixado. E se salvou.

Acabou mais uma edição do Brasileirão: sem dúvidas, a mais imprevisível, e por isso surpreendente, de todos os tempos.

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