Posterous theme by Cory Watilo

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Na "boleiragem" e na "parceria", não se espante se der tudo certo

Coerência pode ser tanta coisa. Para simplificar, fiquemos com duas variantes: tomar uma decisão com base no talento, escolhendo aqueles que hoje estão jogando melhor e são frequentemente escalados nos clubes onde jogam, ou, como acredita Dunga, ser fiel. Coerência, para Dunga, é sinônimo de fidelidade. Ou "parceria". 

 
No meu mundo, no seu mundo, no mundo daqueles que querem ver seus melhores conterrâneos selecionados para representar o país numa Copa do Mundo, pode não fazer sentido algum. No mundo deles, faz.
 
"Boleiragem", tuitei mais cedo. Alguns dos escolhidos não são os melhores e talvez saibam disso. É coisa de boleiro: Dunga também tem ciência, mas, por outro lado, tem todos eles nas mãos. São jogadores a quem o treinador deve sua boa campanha no comando do time e jogadores que devem ao técnico sua permanência na seleção. Estão fechados. E é por isso que a boleiragem pode dar certo. 
 
Doni no grupo? A chance de ele jogar é de 0,03%. Não compromete e ainda sinaliza para os demais que Dunga é "parceiro" -- eles gostam demais dessa história de "parceiro. Afinal, Doni segurou a barra do treinador na Copa América. Nada mais justo, nos termos da parceiragem, do que chamar o goleiro que nem no banco da Roma tem ficado. "Dunga não é traíra" é o que você ouviria se, como uma mosca, pudesse entrar na sala de boa parte dos jogadores de futebol que acompanharam a convocação pela televisão.
 
É mais ou menos o que aconteceu em 2002 com Felipão. Romário fora, povo rebelde. Mas, ali dentro, havia segurança. Jogaram por Felipão. Pode ser que para mim e para você Dunga não tenha carisma algum. Só que no vestiário da seleção a história é diferente. Por isso, não se surpreenda se o time que não tem os melhores jogadores brasileiros da atualidade tiver um bom desempenho na Copa do Mundo.