ENTRELACE v2.0 por Vanessa Ruiz

um espaço para falar do mundo real juntando coisa com coisa, colocando os dedos uns entre os outros 
Filed under

Censura

 

TJ-DFT, Hugo Chávez, a censura, a coceira e a janela

sexta-feira, 31 de julho de 2009, 19:25 | Online

Justiça censura Estado e proíbe informações sobre Sarney

Gravações em áudio proibidas revelaram ligações do presidente do Senado com os atos secretos da Casa

BRASÍLIA - O desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), proibiu o jornal o Estado de S. Paulo e o portal Estadão de publicar reportagens que contenham informações da Operação Faktor, mais conhecida como Boi Barrica. O recurso judicial, que pôs o Estado sob censura, foi feito pelo empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

O pedido chegou ao desembargador na quinta-feira, no fim do dia. E na manhã desta sexta-feira, 31, a liminar havia sido concedida. A decisão determina que o Estado não publique mais informações sobre a investigação da Polícia Federal.

Em caso de descumprimento, o desembargador Dácio Vieira determinou aplicação de multa de R$ 150 mil por "cada ato de violação do presente comando judicial", isto é, para cada reportagem publicada. O pedido inicial de Fernando Sarney era para que fosse aplicada multa de R$ 300 mil.

O advogado do Grupo Estado, Manuel Alceu Afonso Ferreira, vai recorrer da decisão. "Há um valor constitucional maior, que é o da liberdade de imprensa, principalmente quando esta liberdade se dá em benefício do interesse público", observou Manuel Alceu. "O jornal tomará as medidas cabíveis."

O diretor de Conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, afirmou que a medida não mudará a conduta do jornal. "O Estado não se intimidará, como nunca em sua história se intimidou. Respeita os parâmetros da lei, mas utiliza métodos jornalísticos lícitos e éticos para levar informações de interesse público à sociedade", disse.

Diálogos íntimos

Os advogados do empresário afirmam que o Grupo Estado praticou crime ao publicar trechos das conversas telefônicas gravadas na operação com autorização judicial e alegaram que a divulgação de dados das investigações fere a honra da família Sarney.

"Uma enxurrada de diálogos íntimos, travados entre membros da família, veio à tona da forma como a reportagem bem entendeu e quis. A partir daí, em se tratando de família da mais alta notoriedade, nem é preciso muito esforço para entender que os demais meios de comunicação deram especial atenção ao assunto, ‘leiloando’ a honra, a intimidade, a privacidade, enfim, aviltando o direito de personalidade de toda a família Sarney", argumentaram os advogados que assinam a ação - Marcelo Leal de Lima Oliveira, Benedito Cerezzo Pereira Filho e Janaína Castro de Carvalho Kalume, todos do escritório de Eduardo Ferrão.

As gravações revelaram ligações do presidente do Senado com a contratação de parentes por meio de atos secretos. A decisão faz com que o portal Estadão seja obrigado a suspender a veiculação dos arquivos de áudio relacionados à operação.

 

O ponto deste post é simples, não vai muito adiante disto: independentemente de que tipo de jornal seja o Estadão, decisões como esta assustam. Os padrões democráticos sob os quais nasceu boa parte dos jornalistas que estão na linha de frente das redações não condiz com um ato como este. A esperança é que eles (nós) estejam(os), neste momento, se (nos) coçando, se (nos) incomodando, sofrendo, reclamando, fazendo algo contra isto.

Se vira moda...

Hugo Chávez criticava a prisão dos jornalistas venezuelanos pelo governo golpista de Honduras há alguns dias e hoje já aplaude a regulamentação dos "delitos midiáticos" que levariam à prisão na Venezuela, conforme projeto apresentado na Assembleia Nacional. Parte do texto: "toda pessoa que divulgar através de um meio de comunicação notícias falsas que ocasionem a grave alteração à tranquilidade pública será castigada com uma pena de prisão de dois a quatro anos", etc. Por "falsas", fique à vontade para entender "contra o governo chavista".

Por extensão...

Boa parte da imprensa esportiva já estaria presa se aqui fosse a Venezuela e o projeto tivesse passado. A tranquilidade pública dos torcedores vive sendo alterada gravemente durante a janela de transferências para o exterior. Quem a inventou, aliás, devia tê-la pego toda para si.

Loading mentions Retweet
Filed under  //   Censura   Hugo Chávez   Imprensa   Jornalismo   José Sarney  

Comments [0]