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A entrevista de @BSenna na @revistaESPN de outubro (íntegra + bastidores)

A entrevista abaixo tem um ou outro trecho a mais do que a publicada na revista ESPN, mas o espírito é o mesmo. Logo depois, estenda o post (clicando no link Read the rest of this post ») para ler os bastidores da entrevista.


Não dá para comparar um iniciante a um tricampeão no auge”

Bruno é sobrinho de Ayrton, é verdade. Mas, sempre que possível, faz questão de frisar que um não é o outro e vice-versa. Afinal, ele foi treinado para superar comparações. Mais até do que para aguentar as dificuldades no mundo da F-1

Por Vanessa Ruiz

Chegar aos 27 anos sem nunca ter corrido em Interlagos é apenas uma das diferenças entre os dois. Bruno Senna (Lalli) sabe que não vai repetir o tio, campeão pela primeira vez aos 28, e tampouco se importa. É justamente por isso que sua entrevista à revista ESPN não é sobre a relação entre o tricampeão e o aspirante, mas sim sobre a pessoa escondida atrás do laço de sangue. Bruno recebeu nossa reportagem para uma longa conversa em sua casa, algo raro na família que Ayrton tanto preservava. Desarmado, dosou muita autocrítica com bom humor para revelar o que sente em relação à carreira que começa, tardiamente, a construir.

Você toma voltas em todas as corridas. Quão chato é isso?

É a coisa mais frustrante do mundo. Você está na F-1 tentando competir por alguma coisa, mas, ali, sabe que não está brigando com o cara mais rápido, tem simplesmente que abrir para ele passar. Quando vêm seis carros para te passar, você perde um absurdo de tempo, cerca de oito segundos, porque às vezes até tem que ir pra grama para o outro te passar.

Sente que, por ter terminado menos corridas que seu companheiro Karun Chandhok, o time trata você com alguma desconfiança?

A equipe sabe que não terminei em 90% das vezes por causa de quebra mecânica. Em termos de performance, estou melhor que meus companheiros. A única vez em que eu tomei pau mesmo foi na Malásia. Vindo da GP2 e estando havia quase um ano fora das categorias fórmula, senti que, da minha parte, houve falta de performance na corrida. Tomei pau do Karun, fiquei puto da vida e vi que precisava acordar.

Faltou treino, então.

Piada, isso, né? Sem treino não tem como saber o que esperar do carro, você fica sempre com um pé atrás, nunca está confiante de que fará tal coisa no carro e se ele vai corresponder.

Você diz que não comprou sua vaga na Hispânia. Mas o fato de ter levado patrocínio para a equipe não pode ser considerado “comprar uma vaga”? Você recebe salário?

Não, não estou recebendo salário. É uma coisa de interpretação, não adianta eu ficar me defendendo. Já falaram um monte de coisas mesmo. Como eu disse, é preciso tempo para provar as coisas.

O mundo da F-1 é muito desgastante?

Lá é o universo do relacionamento. A maioria dos pilotos que entra na F-1 está ali porque, antes, tinha alguém ali dentro. Nós entramos sem esse tipo relacionamento, sem programa de pilotos, sem empresário que está lá dentro faz tempo. Talvez tenha sido até um pouco de ingenuidade imaginar que tudo aconteceria por mérito: conseguir um teste na F-1, ir bem no teste e seguir em frente. Não é tão simples.

Como tem lidado com algumas críticas que chegam do Brasil?

Comecei a correr tarde. Fui o único trouxa desses moleques que estão correndo hoje em dia que não treinou nada antes de começar a correr. Desde que comecei, os treinos foram ficando mais e mais limitados. Essa é uma das coisas que me fazem olhar para trás e pensar: “Que imbecil, eu podia ter treinado pra cacete e ter começado de uma forma bem melhor, ter feito meu nome logo no começo”. Vivendo e aprendendo, agora não dá para voltar atrás.

O erro foi só seu?

Nunca competi de kart [Bruno parou de correr após a morte do tio, quanto tinha 11 anos]. Quando comecei a andar de monoposto, virava igual aos outros caras e achava que “putz, meu, dá para andar, sim”. Achava que era só sentar no carro e andar no campeonato, mas não é assim, corrida é muito diferente. Comecei a minha primeira corrida tomando um toque de um cara, quase capotando na primeira volta. Quando você não tem experiência, faz merda atrás de merda. No meu terceiro final de semana, em Donington, com a pista meio molhada meio seca, classifiquei as duas vezes em segundo. Mas em uma corrida eu saí da pista e, na outra, terminei em sexto porque não sabia aquecer pneu, não sabia o que fazer na primeira volta, um milhão de coisas que eu não sabia fazer. Aí, os caras vinham querer comparar o cara que estava na terceira corrida da vida dele com o tricampeão mundial Ayrton Senna no auge da carreira. Foi aí que eu desencanei de ler o que as pessoas tinham a dizer a meu respeito porque era só coisa destrutiva.

Está preparado para participar de jogo de equipe?

[respira fundo] O jogo político nas equipes é bem mais complexo do que parece. Tem de tudo: relação pessoal, patrocinador, pontos, campeonato, tem até pressão psicológica. Só que é uma situação de pressão, você tem que tomar uma decisão super difícil e pilotar sem se matar no muro porque você está pensando em outra coisa. E você tem que refletir sobre o que é bom para a sua vida ou o que é bom para o momento. Às vezes, você está em uma situação em que pode ter uma carreira longa e próspera por perder uma corrida talvez de uma forma indigna.

Do que você mais gosta no automobilismo?

Quando faço a pole position é demais. É muito diferente você largar na frente. Agora, quando você larga em 21° e sabe que é o lugar em que vai ficar na corrida toda, você faz o que dá para fazer, puxa o máximo que dá para puxar. Na situação atual, é do classificatório mesmo que eu tiro mais satisfação no final de semana.

O que mudou no seu dia-a-dia desde que você veio de Londres para Mônaco?

Mudou o clima, aqui faz mais sol, tenho mais ânimo para sair de casa e fazer meus treinos de bicicleta. Em Londres era mais maçante, tinha que treinar na academia. A qualidade de vida aqui é bem melhor, sou mais saudável. Em Londres, é uma turma que pega balada mais pesada. Aqui em Mônaco, é diferente o estilo de vida, todo esportista vive em um ritmo legal. Vamos muito um na casa do outro para fazer nada, também. Além disso, aqui eu tenho a Isabel, que cuida de mim e faz comida que eu gosto. Ela trabalhou com o Ayrton quando ele morava aqui e se ofereceu quando soube que eu estava vindo para cá.

Como foi a experiência de sair do Brasil e vir morar na Europa aos 19 anos?

Estava sozinho, só vi alguém da minha família depois de quatro meses na Inglaterra. Foi paulada. Estou reclamando disso, mas imagina na época do Emerson, quando não tinha internet, nada? Tinha que mandar sinal de fumaça para o Brasil para se comunicar com as pessoas naquela época do Ayrton, do Piquet.

Você já consegue se sustentar sozinho, só com o patrocínio, ou tem dinheiro da família?

Eu acho que, neste ano, conseguimos ficar no zero a zero entre patrocínio e família. Não estou com dinheiro para comprar um carro. Estou a pé aqui, seria bom ter uma Scooter. Preciso tirar uma carta de moto.

Na F-1 atual, qual a equipe dos sonhos?

Se fosse para ganhar campeonato, a aposta mais segura é o carro da Red Bull, mas isso não quer dizer que é a equipe dos meus sonhos. É como o time de futebol do coração, aquela equipe que gostaria de correr, aquela coisa romântica, sabe, a preferência pessoal.

Essa equipe tem alguma relação com a sua família?

[risos, muitos risos] Não sei, não falo por que é uma coisa de [pausa] é uma coisa de objetivo. Se eu conseguir chegar, vai ser uma grande vitória, um dos melhores dias da minha vida. Não quero colocar esse caminho em público.

O Ayrton teve duas vitórias marcantes em Interlagos. Como será correr lá?

Nunca corri no Brasil, Interlagos será a primeira vez. Estou louco para que chegue. Vai ser uma doideira.


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Eles sofrem, mas Bruno Senna sofre muito mais

LUCAS DI GRASSI. Começando com o menos pior.

Há cerca de duas semanas, logo após o GP da China, entrevistei Lucas di Grassi em seu escritório, em São Paulo. Parte da conversa faz parte de uma reportagem que estará na edição de junho da Revista ESPN. Outra parte, eu conto aqui. Num determinado momento da conversa, falamos sobre o fato de ele ter sido o primeiro piloto da Virgin a terminar uma corrida (14° lugar na Malásia). Lucas dizia não ter privilégios por causa disso, mas afirmou que se sentia confortável por ter conseguido levar o carro até o fim quando as condições técnicas permitiram. Ou seja, quando o carro não falhou, o piloto foi bem e completou o trabalho. Lucas demonstrava confiança numa espécie de acordo tácito. 


Por causa da erupção do vulcão você-sabe-o-nome, na Islândia, o retorno do time para a Europa atrasou e só um carro ficou pronto com os updates previstos para a temporada europeia, que começaria na Espanha. O companheiro de Lucas, Timo Glock, tem 28 anos e 41 GPs no currículo. Mesmo com resultados pouco expressivos, estes números já são suficientes para denotar mais experiência e, portanto, fazer de Glock o merecedor do tal carro.

Por outro lado, e lembrando da conversa com Lucas, ficou uma pulga atrás da orelha: porque não ele, o único a completar um GP até então, guiaria o carro modificado? Em treinos classificatórios, Glock vence Lucas por 5x0. Nas provas, o brasileiro acumula um 14° e um 19° lugares enquanto Glock terminou apenas o GP da Espanha, em 18°.

Em Barcelona, Lucas fechou o GP uma posição atrás do companheiro no quali e na prova. Ao menos nos primeiros treinos livres em Mônaco, nesta quinta-feira, parece que o brasileiro começou a responder: se levados em conta os tempos das duas sessões, ele foi 0s243 mais veloz que Glock. Lucas se animou a ponto de dizer que espera até marcar pontos no final de semana, mas só se -- e sempre "se" -- o carro durar até o fim da prova.


BRUNO SENNA. É aí que o bicho pega.

A situação de Lucas di Grassi na Virgin é ruim, mas a de Bruno Senna é pior. Lucas acredita que a Virgin tem todas as condições necessárias para terminar o ano como a melhor equipe das novatas. Já Bruno enfrenta dificuldades para fazer o carro andar reto na reta e fazer a curva na curva. 


Os problemas de Bruno são dos mais variados: vão de aerodinâmica a quebra de componentes simples. Às vezes eu me pego ansiosa por ele, parece que não há saída. A não ser, é claro, ter uma paciência de Jó para esperar uma proposta melhor de outro time, quem sabe.

Segundo Bruno, a corrida de Mônaco será a mais difícil do ano para ele e seu companheiro Karun Chandhok. Ele calcula tomar seis segundos dos demais. Nos primeiros treinos livres, foram 7s244 a mais que Fernando Alonso (1:14:904). Bruno fez apenas 11 voltas enquanto Chandhok completou 36 e foi quase dois segundos mais veloz que o brasileiro.

A Hispania parece completamente perdida: identificou um problema com o carro saindo de traseira no primeiro treino, refez os acertos e o carro piorou na segunda etapa. Depois disso, a caixa de câmbio quebrou. Bruno diz ter sugerido a troca do assoalho do carro e emendou um "Deus queira que dê tudo certo" ou algo do tipo. Lívio Oricchio publicou hoje no Estadão que Bruno tem ciência de que a equipe só tem, por exemplo, um bico para os dois carros (a reportagem está aqui: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100513/not_imp551059,0.php ). Se a Ferrari do ano passado era uma carroça (que heresia!), a existência da Hispania é algo inominável.

Haja paciência...

Campos Meta, Bruno Senna e o ataque ao mercado brasileiro

Foi positiva a impressão passada pelo ex-piloto de Fórmula 1, atual chefe de equipe, Adrián Campos no almoço desta quinta-feira. Ele está empolgado com Bruno Senna, já abandonou o objetivo de ser apenas o melhor time dos novatos por acreditar que pode competir com equipes que correram em 2009, e aposta na Rússia (Vitaly Petrov?), na Venezuela (Pastor Maldonado?) ou na Espanha (Pedro de la Rosa?) para completar o orçamento.

Ficou claro que a Campos ainda enfrenta uma série de dificuldades principalmente no que diz respeito a aporte financeiro, mas ficou explícito também que o mercado brasileiro está sendo atacado com uma certa agressividade -- afinal, eles fecharam com Bruno Senna.

Os motores Cosworth foram homologados na FIA para dois combustíveis, sendo um deles o da Petrobrás. E a Campos vai atrás disto.

Contando não se sabe qual história para a FIA, já que não podia justificar numeração com patrocínio, a Campos conseguiu o carro 21 para Bruno Senna. A Embratel é patrocinadora pessoal do piloto, mas pode ser do time também. E a Campos vai atrás disto.

Adrián confirmou o que Bruno já havia dito por aqui (ouça no post anterior): que dois compatriotas na mesma escuderia, nem pensar enquanto ele for o chefe.

Há um mês, segundo Adrián Campos, o CEO da Meta, Enrique Rodríguez de Castro, está no Brasil negociando contratos. A Meta é uma espécie de Traffic: empresa que gerencia carreira de atletas, negocia direitos comerciais, etc. No entanto, no caso da Campos, a parceria é maior: a Meta é um dos três acionistas, sendo Adrián e o presidente da equipe os outros dois.

Este post vai ao ar com dois áudios: o de Adrián Campos em entrevista a mim, Luis Fernando Ramos e Celso Miranda; e o de Bruno Senna, capítulo à parte (as fotos são de Carsten Horst e Flávio Gomes). Vamos a ele, então.

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O áudio de Bruno Senna publicado aqui foi captado com o gravador durante o streaming de vídeo que fizemos direto do restaurante. Bruno foi atencioso e respondeu às perguntas de quem entrou na sala de chat para participar. Foi muito legal, também, a hora em que Bruno levou Lito Cavalcanti para a frente do netbook e explicou a ele o que se passava. Quando o pessoal do chat reconheceu o Lito, começou a mandar perguntas e ele ficou um bom tempo ali, respondendo a tudo, enquanto o Bruno dava entrevista de um lado e eu gravava com o Adrián Campos do outro. Foi uma experiência muito boa. Passaram pelo vídeo também Flávio Gomes, Fábio Seixas, Reginaldo Leme, Carsten Horst, Felipe Motta, Ivan Moré, Ico, Celso Miranda, Márcio Fonseca, etc. É pena que foi a primeira vez e esqueci de apertar o botão "gravar". Mas haverá outras! Assim esperamos.

Bruno Senna: busca da Campos por patrocínio pode afastar Piquet do time

Esta entrevista foi feita há pouco com Bruno Senna, pelas rádios CBN e Globo, quando ele chegava à entrega do prêmio Capacete de Ouro. No final, Bruno fala sobre a possibilidade de correr ao lado de Nelsinho Piquet. Segundo o que ele entende do padrão de ação da Campos, ter dois brasileiros no time reduz o leque de opções para patrocínio, o que dificulta o negócio.

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