ENTRELACE v2.0 por Vanessa Ruiz

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Este pneu podia ter matado alguém

A reportagem em vídeo do Marca (tão pouco confiável em suas especulações, aliás, quanto seu concorrente As -- mas isto não está em questão aqui) está mais preocupada em ressaltar que Fernando Alonso foi novamente prejudicado pelo erro da Renault no pitstop: a roda solta provocou o abandono do espanhol no GP da Hungria e, realmente, este é um fato digno de nota.

Mas é digno de nota também o fato de que o pneu que voou do carro de Alonso podia ter matado como matou aquele que foi parar na cabeça de Henry Surtees, e como podia ter matado a mola que saiu do carro da Brawn e atingiu Felipe Massa.

As opiniões se dividem quanto à suspensão da Renault da próxima etapa, o GP da Europa, em Valência (Espanha). Há quem acuse a Federação Internacional de Automobilismo de estar "jogando para a torcida", o que não deixa de ser uma expressão irônica no caso específico, já que tudo o que a torcida de Valência queria era justamente poder ver seu maior ídolo, Alonso, nas pistas em agosto. A imprensa local chora a baixa quantidade de ingressos vendidos até agora e a recomendação de Bernie Ecclestone de que os turistas tomem cuidado com a criminalidade local.

Independentemente de qual seja a decisão final da FIA, é inadmissível que uma falha estúpida como fixar mal uma roda aconteça num esporte tecnológico em que o menor erro pode causar danos irreparáveis (mortes, não?). Talvez a Renault tenha sido escolhida como vítima de uma punição exemplar que a FIA considere ser necessária após a sequência de acidentes vistos na Fórmula 1. A decisão é pesada além da conta e espera-se que a entidade volte atrás, optando por outro tipo de sanção.

Por outro lado, resta esperar que as equipes aprendam algo, então, e que molas e pneus não voem mais assim, tão à toa.

Leia o libelo desesperado, e com razão, do Marca aqui.

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A emoção demorou, mas parece que chegou à Fórmula 1

Há alguns dias, pouco antes do GP da Hungria, parei para reler posts antigos, do início da temporada da Fórmula 1. Até a sétima etapa, eram seis vitórias de Jenson Button e apenas uma de outro competidor, Sebastian Vettel (Red Bull). Era natural que as análises dessem conta de um campeonato praticamente decidido, com Button disparado na ponta.

Na oitava etapa, cujo resultado foi retratado da forma acima por Bruno Mantovani, Vettel subiu de novo no topo para fazer crer que as coisas podiam realmente ser diferentes. Naquela corrida, o nome de Button não foi apagado do primeiro lugar, mas do pódio: era a primeira vez em que ele não ficava entre os três primeiros. E desde então, Button não venceu mais: na Alemanha, deu Mark Webber (Red Bull) e na Hungria, um surpreendente Lewis Hamilton (McLaren) e seu MP4-24, o primeiro piloto que usa KERS a vencer nesta temporada.

Nesta semana, tudo o que se quer saber, é claro, é sobre o estado de saúde de Felipe Massa. O ferrarista brasileiro está bem, enxerga, fala para alívio de todos -- somos jornalistas e somos gente também, estamos incluídos neste "todos"; reportamos mas, por dentro, torcemos; se não o fizessemos, arriscaria dizer que teríamos perdido parte de nossa condição humana. Já a vaga que será aberta por sua ausência em Valência pode ser ocupada por Luca Badoer ou Marc Gené, pilotos de teste da Ferrari, e até por Fernando Alonso, quem sabe? Especulações não faltam. (Agora são 14h e parece que o empresário de Michael Schumacher voltou atrás na negativa, ou seja, o hepta volta a ser candidato.)

Enquanto Felipe se recupera com tranquilidade, continuemos pensando no que foi feito da temporada 2009. Ela tinha tudo para tornar-se desinteressante, principalmente para aqueles que não são tão aficionados assim por Fórmula 1. A Red Bull foi a primeira a ameaçar a Brawn: no mundial de construtores, agora, são só 15,5 os pontos que as separam. No de pilotos, a vantagem de Button caiu: são 18,5 pontos para o segundo colocado Mark Webber.

No entanto, sem delongas, o mais surpreendente foi o salto de McLaren e Ferrari: sinal muito claro de que, na Fórmula 1, pouca coisa resiste ao tempo de que tem dinheiro.

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