Pensando em não pensar
O último post aqui no ENTRELACE foi escrito há dez dias, mas parece que foi há muito mais. Talvez por conta do tanto de coisas que aconteceram e que não aconteceram neste meio tempo – deve ser o clima de final de ano. Este post é de um tipo que não faço há tempos, daqueles que ficavam na gaveta "Sínteses Cotidianas" na primeira versão deste blog; ela guardava crônicas e pensatas, e espero que renasça em 2010.
Enquanto a “silly season” do futebol pega um fogo morno – as histórias se repetem... – com especulações mil e empresários tentando enfiar seus atletas nas manchetes pensando em conseguir algo melhor para ele (o empresário) em 2010, eu aproveito o fato de estar fora de uma redação para ficar só observando. Boa escola, a observação.
Apesar do desânimo que às vezes bate depois de tanto observar, creio no bom jornalismo: ele existe, é duro de achar e exige esforço para ser bem feito. Apurar uma história dá um trabalho danado. Há um tanto de incautos por aí sendo pegos pelas (se rendendo às) exigências da velocidade e das redações enxutas, ou simplesmente se entregando à ânsia mais ingênua pelo furo jornalístico. Uma boa pauta, no mais das vezes, pode desentortar um pedaço do caminho: se for apresentado um bom projeto, bom mesmo!, e seu chefe não te liberar ao menos de parte das tarefas diárias para levá-lo a cabo, talvez você deva trabalhar fora do horário ou trocar de chefe, mas não desista do jornalismo bem feito, não.
Ditar regras é uma chatice e parece que é isso que estou fazendo. Talvez esteja, mesmo, aproveitando esta virada para contar a vocês um pouco, bem pouco, de como enxergo a profissão: se está fácil ser jornalista, é porque acionaram o modo automático. Qualquer um de nós que está há um pouquinho mais de tempo na área sabe fazer o feijão-com-arroz, “colocar a matéria na forma”. No entanto, ser jornalista não pode ser fácil, não tem que ser fácil. Já experimentamos tantas vezes: quanto maior o esforço, melhor o resultado e maior a satisfação e recompensa, independentemente de qual for a motivação. Se tiver alma de repórter, é melhor dar um tempo, repensar, do que viver o marasmo do feijão-com-arroz.
Quem chegou aqui e prestou atenção no título do post, está querendo me perguntar o que cargas d'água ele tem a ver com o texto (não precisa abrir o Formspring...). Na verdade, quando comecei a escrever, minha ideia era falar sobre ontem: pela segunda ou terceira vez na vida fui fazer uma “massagem relaxante” e me peguei pensando, pensando loucamente, sem parar. Meu caso de vício em pensamento é bem crônico, como deve acontecer com a maioria de nós, a ponto de eu achar meditação o máximo e não conseguir nem por um segundo parar de pensar: “Mas eu não estou vendo ponto azul. Nossa, como esse mantra é legal. Será que eu estou cantando certo? Será que eu já parei de pensar? Deixa eu ver se me concentro no preto que vem quando a gente fecha o olho. Ai, meu preto tá meio branco, cheio de estrelinha. Nossa, eu não paro de pensar. A massagem dessa mulher é boa, né?”. Bom, pelo menos meu pensamento foi galho que enverga, a ponto de mudar completamente o caminho deste texto sem trava alguma.
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