ENTRELACE v2.0 por Vanessa Ruiz

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O que é o quê: jornalismo e crowdsourcing no #apagao

O apagão de 2009, passado na noite de ontem, foi uma boa mostra das benesses e limites do conteúdo colaborativo, e de qual a diferença entre relatar o que se vê e fazer o que chamamos de "jornalismo".

Logo que teve início a queda de transmissão de energia elétrica em áreas de pelo menos onze estados do Brasil mais Paraguai, às 22h13, começaram a pipocar no Twitter os relatos de pessoas em todo o país informando a "falta de luz" em suas regiões. Ficou claro, imediatamente, que não se tratava de um problema no centro de São Paulo, por exemplo, onde eu estava naquele momento, na redação da CBN/Rádio Globo. José Roberto Toledo (ou @zerotoledo) avaliava lucidamente que “o Twitter foi a lanterna noticiosa do #apagao: mais ágil e até mais preciso do que muitos meios tradicionais”. Como plataforma, funcionou melhor do que a de muitos sites, que saíram do ar, e de emissoras de televisão que, mesmo funcionando com gerador, não tinham como fazer a programação chegar a seu destino por motivos óbvios. Sobraram os celulares que não saíram do ar, laptops com bateria ligados direto na rede e os rádios de pilha.

Enquanto alguns twitteiros com grande número de seguidores faziam sua parte retransmitindo as mensagens que recebiam vindas de locais diversos, notava-se também que alguns deles repassavam o que era dito em entrevistas ouvidas no rádio e na televisão, quando tinham acesso a ela. 

Este post é simples e terminará quando encerrar este parágrafo. Não discuto aqui o Twitter, mas o uso do conteúdo colaborativo. Ele ajuda a investigar, mas não é a investigação em si. Fazer jornalismo é apurar e não só repetir, repassar, retwittar, que seja. Procurar as autoridades, especialistas que ajudassem a explicar ao público o funcionamento de determinados sistemas; obter e analisar respostas cabíveis e não qualquer explicação chapa-branca que @usina_itaipu poderia dar, por exemplo; orientar a população a partir disto tudo não é tarefa fácil. Requer preparo, discernimento, experiência. É possível que, com as mídias sociais, mais e mais pessoas se interessem pelo jornalismo e queiram aprender a fazê-lo, o que seria extremamente positivo. Entretanto, é bom saber que ligar o computador e sentar de frente a ele, esperando que os dados caiam no seu colo para simplesmente reproduzir conteúdo, seja ele gerado pela população ou por veículos tradicionais, é conteúdo colaborativo, é mídia social, mas, sozinho, não é jornalismo.

PS: Ainda acredito que o crowdsourcing atingirá níveis muito mais extensos de troca de informação, mas é preciso que um número maior de pessoas esteja online e, mais do que isso, participando ativamente da rede, gerando conteúdo e não só consumindo. 

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Comments (15)

Nov 11, 2009
thiagorsr said...
Concordo plenamente com seu artigo. Jornalismo de cadeira é mico na certa!
Nov 11, 2009
Vanessa Ruiz said...
Fiquem à vontade para debater porque o tema pode gerar tantas e tantas visões diferentes.
Nov 11, 2009
Fernando Duarte said...
O twitter pode ser um dos métodos mais rápidos mesmo, porém, a imprensa noticiou diversas inverdades mediante a informações de gente que via a luz do bairro acesa e divulgava que a luz estava estabelecida em toda a cidade. Gente informando como anormalidade a altura do fogo nas refinarias, sendo que é uma atitude comum, já que as mesmas tem que queimar todo o produto que esta na linha paralisada. Me desculpe mas ainda prefiro informação de gente preparada para tal tarefa. O twitter foi simplesmente um meio de não deixar as rádios em meio ao silêncio. Serviu apenas para "encher linguiça" em meio a falta de informação de verdade.
Nov 11, 2009
Denis said...
"Como plataforma, funcionou melhor do que a de muitos sites, que saíram do ar" - discordo do "melhor", pois a infraestrutura do Twitter não depende de Itaipu, Furnas ou qualquer outra geradora ou distribuidora de energia nacional. Se acontecer um apagão na Califórnia - como já houve - podemos ficar sem Twitter, Google, Gmail, Facebook, etc. e só saberemos do ocorrido através dos noticiosos nacionais.
Nov 11, 2009
Vanessa Ruiz said...
Você tem razão, Denis. "Melhor" dá sentido de comparação e a intenção não era comparar, era dizer que simplesmente funcionou e ponto, pelos motivos que você mencionou. Se houver um apagão na base física do Twitter, é capaz que ele saia do ar, também.
Nov 11, 2009
Cássia said...
Sucinta e precisa avaliação do que aconteceu ontem, Vanessa. A visão de que é o jornalista quem vai organizar esse mundo de informações e transformá-las em mensagens relevantes é o que mantém a minha crença de que, com as novas tecnologias, a nossa profissão se torna cada vez mais necessária, e não o contrário.
Nov 11, 2009
anaminadeo said...
Realmente o TW foi uma ótima luz no apagão, concordo com o José Roberto Toledo (@zerotoledo). Melhor ainda foi a "tabelinha" feita com as rádios. Mas o meu #tim deu pane #fail
Nov 11, 2009
bruno gâmbaro said...
Artigo curto e preciso, como deveriam ser as coisas do Twitter!
Nov 11, 2009
Igor Sausmikat said...
To vendo que meu comentário enorme não apareceu aqui,to putooo!hahahahaha
Nem lembro o que escrevi e tal,da próxima até vou guardar no copiar/colar aqui.
Bom mas como falei,acompanhei tudo dessa história do apagão através do twitter,essa história que twitter atrapalha tudo,isso é uma mentira desalavada com todo o respeito a quem pensa o contrário.
o twitter ajuda a todos e tudo mais e informa o mundo também,sou a favor mesmo que se use o twitter pra participações e ajudas em programas de rádio e de Tv,é o mundo mudando e temos que mudar também.
Sensacional o post,até dei RT no twitter sobre isso!é bem melhor do que coisas manipuladas que as vezes rolam em informações de Tv,e o bom é que vc acompanha todas as informações e ainda tem os ouvintes te ajudando a informar,é a interação com o ouvinte(com o povo),coisa que o jornalismo precisa ter realmente.
falando assim,até parece que entendo muito de jornalismo,mas pelo o que sei(não passando de um mero ouvinte) eu penso que é assim.
e apesar da Vanessa Ruiz e de outros que são reporteres de esporte apenas,até através do twitter deles chegou a informação de todos os locais sobre o apagão(a própria vanessa pode confirmar pois muitas informações chegaram pra ela e pra outros reporteres do esporte que estão no twitter certamente)e tem que sempre se agradecer pois essa interação é que faz tudo ficar excelente e muito bom.
sensacional realmente!
Eu confesso que acompanhei tudo por Twitter ontem,só bem bem depois quando o sono veio daí liguei a Tv,mas nem me toquei que tinha Tv passando,pra ver que o Twitter tem que ser explorado bem e não pro lado maléfico onde todos pensam e até tem razão em pensar,pois a Internet tem seu lado maléfico e tem gente que usa da Internet como má fé.
beijos vanessa e parabéns por ser assim interagindo com os ouvintes e tudo mais,e na humildade que é mais importante.Pois tem jornalista que sabemos que por aí que acha que ouvinte é burro,só que não é assim no caso!
e parabéns pelo o ótimo post e pelo o blog,disse tudo!
Igor Sausmikat
Nov 11, 2009
Lilian Bianchi said...
O Twitter é uma ferramenta importante de informação em tempo real, mas ontem para manter-me informada apelei para o rádio.Pude através da rádio Jovem Pan ouvir entrevistas com várias autoridades entre elas o Governador José Serra que concordou em falar após um post do jornalista André Graziano pelo Twitter. Cabe ao leitor inteligente saber filtrar as informações e procurar outros canais para complementá-las.
Nov 11, 2009
Vanessa Ruiz said...
Valeu pelo texto, Igor. E Cássia e Lilian, acho que a palavra-chave é mesmo "filtro".
Nov 11, 2009
Andrew_Zanelato said...
Concordo com o @zerotoledo, o Twitter se tornou a principal rede de notícias sobre o apagão, assim como vem sendo com outros grandes acontecimentos e catástrofes mundiais.
Mas como eu não uso notebook e meu TIM também ficou sem sinal, só fiquei sabendo o que estava acontecendo porque meu celular é com TV e estava assistindo quando o Jornal da Globo deu a notícia no intervalo do Casseta. Até essa hora, como muitos, achei que o apagão fosse só na minha rua ou bairro.
Nov 11, 2009
milton jung said...
De tudo, concluo que toda forma de informação é bem-vinda, mas inteligência é fundamental. E radinho de pilha, também.
Nov 11, 2009
Vanessa Ruiz said...
Aproveitando a passagem de Milton Jung por aqui, deem uma olhada no texto que ele postou no blog >> http://bit.ly/23QT0v
Nov 12, 2009
Bruno Ruiz said...
Fantástico o seu texto, Van. Realmente as mídias sociais propagam informação, mas não podemos dizer nada quanto à validade da mesma. É como o fenômeno da Wikipedia, que muitas pessoas aceitam como uma enciclopédia e lá baseiam suas pesquisas e conhecimento geral. É positivo, informa, mas pode haver informações erradas lá, deliberadamente ou não. Com as mídias sociais então, a situação se intensifica em muito. E é a função manter a ordem e a acuracidade dos fatos, e até mesmo gerar conteúdo mais consistente e detalhado.
Um beijão

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