Garota-enxaqueca
Sentada no sofá, de olho nas maravilhas tecnológicas do viciante iPhone, a visão começou a ficar distorcida. Deve ser fome, pensei. E cochichei no ouvido do namorado pra ver se ele resolvia adotar a fome como sendo dele, já que aquela era a casa dos sogros. Levantamos, fomos à cozinha. Pão, frios, manteiga, margarina, requeijão, suco, leite. Tudo o que eu comia e não comia, suficiente para matar a fome.
Comi o primeiro sanduíche. Estranho: a metade direita da visão, do olho direito, tremia como quando você olha acima de asfalto quente. Ali, eu já sabia -- memória pra coisa desagradável nunca falha: era a aura. Nome bonito, coisa horrível. "Aura" só dá quando a enxaqueca vem em seguida. O pânico foi inevitável: enxaqueca, de novo, não! Há pelo menos dez anos não tinha uma crise destas. Não sei até que ponto o desespero ajudou a agravar a situação, mas eu não tinha muito o que fazer. A dor de cabeça veio. Dirigi até a farmácia para comprar remédio, já que o pé do namorado andava quebrado. Não adiantou.
Daí em diante, era só esperar piorar e a carona chegar para ir até o hospital. Aura, dor. Os próximos elementos eram vômito e desconforto interminável. A crise começou às 16h, cheguei ao hospital às 18h30 e saímos de lá às 23h30. Preferi voltar até perto de casa para ir a um pronto-socorro conhecido, em que um e até dois acompanhantes são permitidos na enfermaria (faz uma diferença inquestionável).
Mais de dois litros de soro, pelo menos quatro remédios diferentes na veia. Evito a alopatia, mas tem horas em que não dá. E a crise de enxaqueca é uma delas. Nestes casos, prática de esportes, yoga, comida natural, etc, etc, etc servem é como prevenção.
Lição do dia: nem sempre fica claro mas, urbanoides, o stress existe; e ele invariavelmente encontra meios bem desagradáveis de vir à tona.