As falas muito simbólicas de @rubarrichello e Robert Kubica
Quando a Federação Internacional de Automobilismo anunciou quais pilotos participariam da coletiva de imprensa oficial da quinta-feira aqui na Hungria, causou surpresa a convocação de Felipe Massa e Rubens Barrichello, e a não convocação de Fernando Alonso, pivô do escândalo mais recente por aqui.
Protegido? Talvez.
De qualquer forma, as falas dos dois brasileiros foram representativas, com Rubens se dizendo triste pelo que aconteceu com Felipe e Felipe dizendo que está aqui para vencer, que é assim que agirá caso se encontre em situação semelhante à do GP da Alemanha, na semana passada. Ao Lívio Oricchio, do Estado de S. Paulo, o chefe da Ferrari, Stefano Domenicali, contou que houve uma reunião com Massa e que, caso ele esteja para ganhar na Hungria, nada o impedirá.
Uma parte interessante da coletiva foi protagonizada por Rubens Barrichello e Robert Kubica. Questionados sobre a validade da regra que proíbe ordens de equipe, se ela deveria deixar de existir, as respostas dadas por eles foram exatamente opostas e ambas bem fundamentadas (Felipe nada disse e Heikki Kovalainen preferiu ficar de fora do debate):
Rubens Barrichello (Williams) – Não somos nós que devemos decidir. Sempre que disseram que ordens de equipe não deveriam acontecer, outros modos de avisar aos pilotos que deem passagem foram introduzidos. Quanto a isso, você pensa: “Ok, então isso não deve acontecer e o time decide o que vai ser feito”. Eu só acho que nós deveríamos fazer algo para parar com isso porque, no final das contas, podemos entrar num drama aqui. Quando você está correndo, você quer bater o outro, mas não seria legal, eu não me sentiria bem se você me dissesse que vai me dar alguma coisa que vai me fazer mais rápido que o outro e eu vou ganhar. Não gosto disso, nunca gostei e é por isso que fiz mudanças na minha vida, e é por isso que mudei de time e segui em frente. Acredito que está nas mãos dos que estão no topo mudar isso porque você devia ter permissão para correr. Qual é o problema? Se você não ganhar o campeonato por um ponto, que assim seja. Você teve a sua chance e aí você vence o campeonato porque alguém deixou você ganhar? Qual é o ponto? Esse é o meu ponto de vista. Se eu tiver que ser um cara mau e ser campeão do mundo, eu não me importo [com o título]. Eu vou ensinar meus filhos da mesma forma que meu pai me ensinou e estou feliz com isso.
Robert Kubica (Renault) – Não é tão simples, acredito. Nós estamos todos trabalhando para nossos times. Acho que o mais importante, queira você ou não, é o time. Se há uma chance, uma oportunidade para ajudar o time a obter resultados melhores ou o que seja no campeonato, é normal que peçam que você faça isso. E é normal que você atenda e isso é muito simples. Eu sei que nem sempre é tão fácil assim deixar seu companheiro passar mas às vezes é importante para a equipe e é assim que funcionou, que vai funcionar por muitos anos. Ou seja, a não ser que proíbam a ultrapassagem sobre um colega de time, porque acho que é a única regra que vai fazer com isso parar... Foi assim há dez anos, vai ser assim daqui dez anos.
Rubens externou nossos sonhos em relação ao esporte que a Fórmula 1 pode ser, o mundo ideal, aquilo que todos desejamos. Do outro lado, Kubica foi extremamente realista: é muito, muito difícil que as ordens de equipe deixem de existir da forma como as coisas se colocam por aqui, com base em argumentos como carros iguais, time com dois pilotos, pontos em jogo, etc.
Por isso é que seria interessante pensar em outra solução. Em vez de conviver com uma regra fantasia que proíbe completamente as ordens de equipe (já houve várias outras não punidas neste mesmo ano, talvez porque menos escandalosas ou porque nem saibamos que elas existiram), seria mais fácil se regras específicas para o jogo fossem estabelecidas. Aí, seria o caso de viajar na maionese para, através de muita discussão, chegar a algo possível: proibição de troca de posições ordenadas entre os três primeiros, por exemplo.
A liberação total das ordens de equipe tornaria as coisas mais claras, mas o esporte ficaria bem mais chato. Afinal, Barrichello tem toda a razão: qual é a graça de ver uma corrida em que ninguém ataca ninguém, ninguém briga, ninguém é “allowed to race”?
Se alguém tiver uma boa ideia, fique à vontade para compartilhar.