ENTRELACE v2.0 por Vanessa Ruiz

um espaço para falar do mundo real juntando coisa com coisa, colocando os dedos uns entre os outros 

As notas oficiais de Thierry Henry e Robbie Keane na íntegra. Por que tudo é tão complicado?

O lance que deu à França a vaga na Copa do Mundo da África, você já deve ter visto. Senão, veja agora.

Nesta sexta, Thierry Henry, atacante do Barcelona e da seleção francesa, emitiu a seguinte nota:
"Eu disse na hora e vou dizer novamente que, sim, eu toquei a bola com a mão. Eu não sou um trapaceiro e nunca fui. Foi uma reação instintiva a uma bola que vinha extremamente rápida numa área penal cheia de gente.

Como jogador, você não tem o luxo da televisão para reduzir o ritmo da bola em 100 vezes para poder tomar uma decisão consciente. Pessoas estão vendo uma versão em slow motion do que aconteceu e não o que eu ou qualquer outro jogador enfrenta no jogo. Se as pessoas olharem o lance na velocidade real, notarão que foi uma reação instintiva.

É impossível que seja qualquer outra coisa que não isso. Eu nunca neguei que a bola foi controlada com minha mão. Eu disse aos jogadores irlandeses e ao árbitro e à mídia após o jogo. Naturalmente, eu me sinto envergonhado pelo modo como nós ganhamos e peço desculpas pelos irlandeses que definitivamente merecem estar na África do Sul. É claro que a solução mais justa seria jogar de novo a partida, mas isto está fora do meu controle. Há pouco mais que eu possa fazer além de admitir que a bola tocou minha mão antes do nosso gol de empate e que eu me sinto mal pelos irlandeses".

 

O capitão da Irlanda, Robbie Keane, disse em resposta:

"Em nome dos jogadores da República da Irlanda, eu gostaria de agradecer Thierry Henry pelo seu pronunciamento nesta tarde de que remarcar o jogo seria a opção mais justa.

Para o capitão do time francês, foi preciso coragem e honra para dizer isto, e todos nós reconhecemos isto. Como capitão do time da República da Irlanda, eu também ficaria feliz com a disputa de um novo jogo em nome do fair play para que qualquer um dos times que se qualifique, possa fazê-lo com a cabeça erguida. Nós esperamos apenas que a Federação Francesa de Futebol possa aceitar os desejos dos dois capitães em nome do que é melhor para o jogo".

A FIFA já informou que não remarcará a partida. Isto nos leva à questão mais simples e ingênua, que seja: por que tudo é tão complicado? Se as duas partes essenciais para a disputa, aquelas que entram em campo, pensam o mesmo, dá desgosto ver a burocracia reinar. O mundo cansa, às vezes.

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A entrevista de Maurício, zagueiro do Palmeiras

Afastado do Palmeiras após esta briga com Obina, em Grêmio 2x0 Palmeiras, Maurício não se furtou a falar. 

Ouça a entrevista do zagueiro no Globo Esportivo de ontem, na Rádio Globo SP, clicando aqui.

(A entrevista foi feita por Gustavo Villani com comentários de Osvaldo Pascoal. A linha cai, mas o Maurício volta poucos minutos depois.)

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Na entrevista, Maurício manteve uma postura totalmente diversa daquela que mostrou no campo do Olímpico: não se rebelou contra a diretoria, contou que ele e Obina conversaram e se entenderam, não se alterou em nenhum momento. 

Obina volta para o Flamengo, com quem tem vínculo, e Maurício deve ser emprestado, já que seu contrato com o Palmeiras tem ainda um ano e meio de duração. Ambos podem ser julgados e suspensos pelo STJD, que analisa o caso, assim como analisa também a briga entre os jogadores do São Paulo André Dias e Hugo, que não chegaram a ser expulsos como a dupla palmeirense.

Quem se manifestou sobre a decisão da diretoria do Palmeiras foi o zagueiro do Flamengo David, criado com Maurício nas bases da Academia. Ele saiu brigado do clube no final do ano passado por, dentre outros motivos, se considerar mal aproveitado por Vanderlei Luxemburgo depois de ter se recuperado de lesão e estar treinando bem com o grupo. Como observado pelo repórter Jesse Nascimento, David postou suas críticas no Twitter. Um dos posts (aquele que estaria entre o último e o penúltimo da imagem) foi apagado: "O que aconteceu foi ridículo. Diretoria de m..., querendo aparecer. Os jogadores erraram e estão pagando com a própria consciência".

CONTINUANDO às 12h45: Disse no Twitter e repito aqui que discordo da demissão como decisão tomada de cabeça quente, anunciada logo após um jogo que tirou as poucas chances de título que restavam ao Palmeiras. Torcedores, jogadores, todos concordam que Obina e Maurício não pode ser bodes expiatórios de uma campanha que era grande e se tornou pífia, sem mais nem menos, por pura falta de controle da situação.

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Troquemos as manchetes: Button não foi para McLaren por dinheiro. Ouça.

Jenson Button  

No dia seguinte à confirmação de sua ida para a McLaren, Jenson Button deu uma entrevista à rádio britânica BBC 5 Live e contou como foi tomada sua decisão de deixar a nova Mercedes e Ross Brawn, com quem trabalhou durante tantos anos, para ir à McLaren. 

Mais para o fim da conversa, o entrevistador pergunta a Button: "Foi principalmente o carro? Foi só o carro? O dinheiro, obviamente, tem sua parte aí de alguma forma..." 

E para surpresa de todos, Button respondeu: "Não, porque, na verdade, eu vou ganhar menos do que se eu continuasse na Brawn. Definitivamente, não é o dinheiro e todos os envolvidos sabem que não é o caso. É porque é algo novo e eu terei que trabalhar duro nesta situação em que eu me coloquei. Mas é o que eu quero fazer. Eu não sei se é assim com todo mundo, mas eu sempre quero um novo desafio".

Segundo consta na mídia britânica, Button fechou com a McLaren por três anos, sendo £6 milhões/ano de salário. Na Brawn, ele ganharia £8 milhões em 2010 e até £4 milhões a mais como bônus por pontuação.

CONTINUANDO às 11h46: Sou da turma que acha que Button não errou em trocar de equipe. Com as mudanças constantes pelas quais a Fórmula 1 tem passado, qualquer aposta é muito arriscada, ficar ou partir. Button tem a chance de uma vida de correr por um dos times que mais se destacam na história da Fórmula 1. Garantia de bom carro, ele tem. Talvez "bom" possa não significar "o melhor", só o tempo vai dizer. De qualquer forma, "McLaren" não é um nome que nos faça duvidar em se tratando de respeito na Fórmula 1.

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Ross Brawn chorou, mas não pingou e Jenson Button é McLaren

O Guardian deu na segunda à noite, a BBC correu atrás hoje pela manhã, o site da Autosport ficou a ver navios e Jenson Button é o novo piloto da McLaren.

A própria equipe, na nota em que anunciou o acordo, ressaltou dois fatos históricos:
- será a primeira vez, na Fórmula 1, que um time começa a temporada com os dois campeões recentes e consecutivos do Mundial de Pilotos;
- será a primeira vez que dois campeões britânicos correm juntos desde Graham Hill e Jim Clark na Lotus em 1968.

Temendo a perda iminente do atual detentor do título e seu carro número 1, Ross Brawn, chefe da nova Mercedes, correu para a imprensa nos últimos dias para tentar brecar a avidez de Button por um salário maior e mantê-lo no time, desaconselhando-o a fazê-lo. No entanto, a recusa em pagar mais, apoiada pelos compradores da Brawn GP, fez com que o elemento de marketing que Jenson Button representa para qualquer equipe escorregasse por entre os dedos. 

A McLaren dispensou Kimi Raikkonen* [correção de conceito às 13h19: bem lembra Ico que foi Kimi quem não quis a McLaren] -- que, já sabemos, fará de 2010 seu ano sabático pelo menos em se tratando de Fórmula 1 -- e ficou com ninguém menos do que o defensor do título... como segundo piloto. Aos 29 anos, Button conseguiu o que já não imaginava possível nas últimas temporadas. Foi atrás de dinheiro, status e estrutura técnica que a equipe (novamente?) laranja pode proporcionar. A família Hamilton não brinca em serviço, dizem por aí que vetou Kimi e certamente só aceitou Button porque entende que ele não ofuscará o brilho de Hamilton.

Até agora, as duplas confirmadas para o ano que vem são:
McLaren >> Lewis Hamilton e Jenson Button
Ferrari >> Felipe Massa e Fernando Alonso
Williams >> Rubens Barrichello e Nico Hulkenberg
Red Bull >> Sebastian Vettel e Mark Webber
Toro Rosso >> Sebastien Buemi e Jaime Alguersuari

Quase confirmada:
Mercedes >> Nico Rosberg e Nick Heidfeld

Confirmadas pela metade:
Manor >> Timo Glock
Campos >> Bruno Senna
Renault >> Robert Kubica

Esqueci alguém?

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Os artigos nos quais Belluzzo foi denunciado e punido, e a censura na esfera desportiva

O voto que definiu a suspensão do presidente do Palmeiras, Luis Gonzaga Belluzzo, foi o do relator Otacílio Araújo, seguido pelos auditores Marcelo Tavares e Francisco de Assis Pessanha.

Foram dois casos julgados na mesma sessão. O primeiro deles, as acusações feitas por Belluzzo ao árbitro Carlos Eugenio Simon após a derrota para o Fluminense no Maracanã, em que Simon anulou um gol legal de Obina. Você lê a entrevista aqui.

- Absolvido no Art. 186 II
Praticar ato hostil, por fato ligado ao desporto:
II - contra árbitro ou auxiliar ou contra pessoa vinculada à entidade de administração ou de prática desportiva; 
PENA: suspensão de 60 (sessenta) a 360 (trezentos e sessenta) dias. 

- Suspenso por 50 dias no Art. 187 II 
Ofender moralmente: 
II -árbitro ou auxiliar em função; 
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 180 (cento e oitenta) dias. 

- Suspenso por 80 dias no Art. 188
Manifestar-se de forma desrespeitosa, ou ofensiva, contra membros do Conselho Nacional de Esporte (CNE); dos poderes das entidades desportivas ou da Justiça Desportiva, e contra árbitro ou auxiliar em razão de suas atribuições, ou ameaçá-los. 
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 180 (cento e oitenta) dias. 

Parágrafo único. Quando a manifestação for feita por meio da imprensa, rádio, televisão, internet ou qualquer meio eletrônico, a pena será de 60 (sessenta) a 360 (trezentos e sessenta) dias.

- Art. 279 desclassificado e suspenso por 50 dias no Art. 278
Art. 279 Incitar publicamente a prática de infração. 
PENA: Suspensão pelo prazo de 1 (um) a 2 (dois) anos. 

Art. 278 Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou, gestos ou por qualquer outro meio, causar-lhe mal injusto ou grave. 
PENA: suspensão de 30 (trinta) a 120 (cento e vinte) dias. 

Já o segundo caso diz respeito à acusação que Belluzzo fez ao auditor do STJD Rodrigo Fux de que ele teria punido Vagner Love em julgamento porque o jogador era do Palmeiras e não do Flamengo (a brincadeira de que, se Love jogasse com trancinhas rubronegras, não seria suspenso).

- Absolvido no Art. 189
Atribuir fato inverídico a membros ou dirigentes do Conselho Nacional de Esporte (CNE), das entidades desportivas ou da Justiça Desportiva. 
PENA: suspensão de 60 (sessenta) a 180 (cento e oitenta) dias.

- Suspenso por 90 dias no Art. 190
Manifestar-se de forma desrespeitosa ou ofensiva contra ato ou decisão de entidade de administração do desporto e da Justiça Desportiva. PENA: suspensão de 30 (trinta) a 360 (trezentos e sessenta) dias. 

Parágrafo único. Quando a manifestação for feita por meio de imprensa, rádio ou televisão, a pena será de 60 (sessenta) a 720(setecentos e vinte) dias. 

Tenho dificuldade em me acostumar com esta espécie de empáfia da esfera desportiva, que é histórica e se manifesta através de um capenga Código Brasileiro de Justiça Desportiva. 

Sinto incômodo enorme a cada vez que vejo alguém sendo punido porque criticou outro alguém do meio esportivo. Imagine se, sempre que uma pessoa desse entrevista criticando presidente, juizes, deputados, fosse cassada e suspensa do convívio social? 

A meu ver, o único erro de Belluzzo -- e frise-se que foi um erro ético, não legal -- foi incitar a violência ao dizer que "pegaria o Simon na saída" ou qualquer coisa do tipo. 

Por outro lado, é natural e lógico que ele seja acionado por Simon na Justiça Comum. E só.

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Time inglês x time alemão x time latino

Esta foto foi tirada da capa do site do jornal britânico Guardian, onde foi publicada por volta das 20h de hoje, no horário de Brasília, sob o título: "Button agrees to join McLaren" (Button concorda em se unir à McLaren).

Segundo o Guardian, o acordo seria de £18 milhões por três anos de contrato, algo em torno de R$17 milhões a cada ano, metade do que leva Lewis Hamilton, mas o dobro do que recebeu da Brawn GP em 2009. Button chamou a atenção da imprensa para a possibilidade de acerto depois de ter visitado a fábrica da McLaren na sexta-feira. O anúncio feito hoje pela Mercedes de compra da Brawn GP teria feito com que Button apressasse sua decisão por entender que a montadora alemã teria interesse em formar um time de conterrâneos, preferivelmente, algo que deve conseguir com Nico Rosberg e Nick Heidfeld.

Se tudo se confirmar, a Fórmula 1 terá, em 2010, ao menos uma equipe totalmente inglesa: a McLaren de Button e Hamilton; uma alemã: a ex-Brawn, atual Mercedes GP com Rosberg e Heidfeld; e uma latina: a italiana Ferrari com o espanhol Alonso e o brasileiro Massa.

(O pequeno detalhe é que a Mercedes continuará, a princípio, baseada em Brackley, na Inglaterra, com um chefe inglês que é Ross Brawn.)

Numa análise rápida, rasteira e imediatista, o time mais forte é a McLaren por um simples cálculo: seria a única a contar com dois campeões mundiais. Além disso, a imprensa inglesa faz questão de frisar que o time teria condições de ter dois carros no mesmo nível para promover uma disputa interna justa e ser competitiva em relação ao resto do grid. Mas papai Anthony e filhinho Lewis são bem espertos, estão em casa, e não se sabe até que ponto deixariam o caminho assim, tão livre, para a concorrência. Hamilton é mais ousado; Button, do tipo técnico.

Felipe Massa parece mole, mas não é. Ao menos nos bastidores, não tão longe assim dos "relações públicas" da Ferrari, andou dando alfinetadas no novo colega. Disse que Alonso terá que entender que ele está lá há mais tempo, deu aquela declaração que obrigou os dois a posarem sorridentes para fotos no GP do Brasil, a de que "era óbvio que Alonso sabia da armação com Nelsinho Piquet no GP de Cingapura do ano passado" -- o que de fato É óbvio. Massa tem ainda o apoio de Michael Schumacher, que o chamou de "irmãozinho" numa entrevista a veículos brasileiros em agosto.

A nova Mercedes GP é que, teoricamente, começa por baixo depois de ter conquistado os títulos de pilotos e construtores em 2009, com dois nomes de pouco sucesso até hoje. Mas, se voltarmos no tempo, começou por baixo também esta temporada: com um piloto recém-saído do fundão da tabela e outro quase aposentado. Sendo assim, é bom não concluir nada antes de ver o trabalho de Ross Brawn na pista após a confirmação de quem ocupará os cockpits.

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Resumo (resumido mesmo) da fala de Barrichello na Febragolfe

Um post para que não passe batida a entrevista de Rubens Barrichello dada ontem, na Febragolfe. A feira, aliás, tem entrada gratuita e pode ser legal pra quem nunca brincou num simulador de corrida. Tem também um simulador de golf e espaços para treinar algumas tacadas.

A reportagem fala basicamente sobre Fórmula 1, mas ir ao evento me fez pensar que o golfe reestreia em Olimpíadas no Brasil, em 2016, e me parece razoavelmente distante a possibilidade de que tenhamos bom desempenho no esporte que pouquíssima gente compreende (eu ainda não estou neste seleto grupo, mas trabalhemos nisso).

  

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Não basta arbitrar, tem que participar até demais. E assim, o gol de Danilo vai para Diego Souza.

A arbitragem brasileira se supera a cada dia, a cada minuto de atuação. 

Simon está aí brincando de gato e rato com o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, e dando trabalho para os editores de vídeo que ora querem provar que ele acertou ao anular o gol do Palmeiras contra o Fluminense, ora que ele errou.

Elmo Rezende apitou impedimento (?) antes de o Palmeiras marcar um gol legítimo contra o Sport. Disto, a maioria já sabe. E quando você acha que já viu tudo... vem a súmula da partida.

Este é o vídeo do segundo gol do Palmeiras. Quem marcou? Danilo, é claro.

Veja agora, na página 2 da súmula de Palmeiras 2x2 Sport, para quem o árbitro deu o gol. Diego Souza. Sim, DIEGO SOUZA.
A observação foi feita há pouco aqui na redação da CBN, por @paulomassini.

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O que é o quê: jornalismo e crowdsourcing no #apagao

O apagão de 2009, passado na noite de ontem, foi uma boa mostra das benesses e limites do conteúdo colaborativo, e de qual a diferença entre relatar o que se vê e fazer o que chamamos de "jornalismo".

Logo que teve início a queda de transmissão de energia elétrica em áreas de pelo menos onze estados do Brasil mais Paraguai, às 22h13, começaram a pipocar no Twitter os relatos de pessoas em todo o país informando a "falta de luz" em suas regiões. Ficou claro, imediatamente, que não se tratava de um problema no centro de São Paulo, por exemplo, onde eu estava naquele momento, na redação da CBN/Rádio Globo. José Roberto Toledo (ou @zerotoledo) avaliava lucidamente que “o Twitter foi a lanterna noticiosa do #apagao: mais ágil e até mais preciso do que muitos meios tradicionais”. Como plataforma, funcionou melhor do que a de muitos sites, que saíram do ar, e de emissoras de televisão que, mesmo funcionando com gerador, não tinham como fazer a programação chegar a seu destino por motivos óbvios. Sobraram os celulares que não saíram do ar, laptops com bateria ligados direto na rede e os rádios de pilha.

Enquanto alguns twitteiros com grande número de seguidores faziam sua parte retransmitindo as mensagens que recebiam vindas de locais diversos, notava-se também que alguns deles repassavam o que era dito em entrevistas ouvidas no rádio e na televisão, quando tinham acesso a ela. 

Este post é simples e terminará quando encerrar este parágrafo. Não discuto aqui o Twitter, mas o uso do conteúdo colaborativo. Ele ajuda a investigar, mas não é a investigação em si. Fazer jornalismo é apurar e não só repetir, repassar, retwittar, que seja. Procurar as autoridades, especialistas que ajudassem a explicar ao público o funcionamento de determinados sistemas; obter e analisar respostas cabíveis e não qualquer explicação chapa-branca que @usina_itaipu poderia dar, por exemplo; orientar a população a partir disto tudo não é tarefa fácil. Requer preparo, discernimento, experiência. É possível que, com as mídias sociais, mais e mais pessoas se interessem pelo jornalismo e queiram aprender a fazê-lo, o que seria extremamente positivo. Entretanto, é bom saber que ligar o computador e sentar de frente a ele, esperando que os dados caiam no seu colo para simplesmente reproduzir conteúdo, seja ele gerado pela população ou por veículos tradicionais, é conteúdo colaborativo, é mídia social, mas, sozinho, não é jornalismo.

PS: Ainda acredito que o crowdsourcing atingirá níveis muito mais extensos de troca de informação, mas é preciso que um número maior de pessoas esteja online e, mais do que isso, participando ativamente da rede, gerando conteúdo e não só consumindo. 

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"Desperdiçando a chance de ser unanimidade" estrelando Muricy Ramalho

  

 

Com tantos títulos no currículo, Muricy Ramalho tinha tudo para ser uma unanimidade no futebol brasileiro. Tem o respeito dos jogadores e a admiração de alguns torcedores. Mas o comportamento intempestivo acabou transformando o treinador numa figura contestada. Esta reportagem vai ao ar neste final de semana na Rádio Globo e na CBN.

Foi um processo delicado construir esta reportagem. Desde o início, nosso intuito não era bater, tampouco afagar, Muricy. O que fizemos foi rodeá-lo, como centro do debate, com ideias sobre o que pode estar acontecendo e o que pode ser feito em se tratando de relações humanas, não de futebol. O apoio incondicional da torcida a Muricy e aos jogadores mostra que, neste último aspecto, as coisas parecem estar sendo feitas do jeito que deveriam. 

Infelizmente (para nós, porque ele demonstra pouco se importar), Muricy Ramalho nunca soube, nunca teve interesse em saber, como lidar com a crítica que vem do exercício jornalístico. Quando transmitimos um jogo, por mais que saibamos que aquilo é entretenimento, não podemos deixar de lado a essência da nossa profissão que é questionar, apurar, checar, reportar. Que contratem a Xuxa para trabalhar com futebol, então. O caminho para a festa cega e tosca ficaria mais curto.

É fato que há Xuxas disfarçadas de jornalista por aí, principalmente nas mesas redondas de domingo à noite. E Xuxas que gostam de tumultuar. Perdoe-me, torcedor, mas eu não vou pagar por elas e tampouco espero que paguem aqueles repórteres que se esforçam, no dia-a-dia, para cobrir repetitivos treinos de futebol de forma criativa e honesta.

Conversei longamente com o presidente do Palmeiras, professor Luiz Gonzaga Belluzzo, sobre o tema na tarde de ontem. Só acrescentaria um ponto à nossa conversa: que retirem do contrato de Muricy Ramalho, então, a cláusula que o obriga a dar entrevistas. Se ele se sente desconfortável e poucos na linha de frente ainda o suportam, prolongar o sofrimento é jogar fora o dinheiro do contrato de imagem, já que o comportamento extra-campo de Muricy agrega nada mais do que valor negativo a qualquer marca.

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